Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O ITINERÁRIO DA MARIOLOGIA COMO REFLEXÃO BÍBLICO-PASTORAL

 José João Bosco Pereira - 26/12/2013

Epígrafes:
 
“Senhora destes povos tão sofridos
Patrona dos pequenos e oprimidos
Derrama sobre nós as tuas graças...
Derrama sobre os jovens tua luz
Aos pobres vem mostrar o teu Jesus
Ao mundo inteiro traz o teu amor de Mãe...”

Mãe do Céu Morena, do Padre Zezinho

“É tempo de ter mais justiça não hipocrisia no meio de vós.
De gente que goste de gente e espere contente o messias voltar.
É tempo de ter solução para um mundo que segue pro mal.
Por isso você é escolhido e a esse povo sofrido, será meu sinal.”

Pe. Luizinho

 Imagem da Imaculada Conceição

Fonte: http://www.imissio.net/liturgia/item/1418-feliz-porque-acreditou-felizes-seremos-domingo-ii-do-advento

O presente artigo procura entender o itinerário da Mariologia no contexto contemporâneo de discussões bíblicas e pastorais emergentes e urgentes. Trata-se de ponderar à luz da fé as questões que surgem nos agentes ou ministérios de ação pastoral da periferia e do centro das cidades e dos campos, nos quais as igrejas e religiões se fazem presentes.
“Mariologia é o conjunto de estudos teológicos acerca de Maria, mãe de Jesus Cristo e da Igreja Católica que compreende uma vasta produção bibliográfica que visa a salientar a importância da figura feminina de Maria e a profunda e piedosa crença dos fiéis a ela, com o objetivo de enriquecer o âmbito teológico cristão.” (Fonte da pesquisa: Wikipédia, a enciclopédia livre.)
Os estudos da Mariologia ampliam nossa visão de fé e caridade à luz da intercessão da Virgem Maria, Mãe de Jesus, Mãe de Deus e da Igreja. Podem-se contemplar algumas possibilidades como a Mariologia sistemática com base no Magistério da Igreja católica como declarações dos principais documentos da Igreja em:

1. Papa Leão XIII: Encíclicas: Magnae Dei Matris, 1892, Adiutricem populi, 1895, Augustissimae Virginis Mariae, 1897.
2. Papa Pio IX: Bula dogmática Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854.
3. Papa Pio X: Encíclica Ad diem illum laetissimum, 1904
4. Papa Pio XI: Encíclica Lux veritatis, 1931.
5. Papa Pio XII: Encíclicas Bulla Munificentissimus Deus, 1950, Fulgens corona, 1953 e Ad Caeli Reginam, 1954.
6. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen Gentium, cap. VIII, 1964.
7. Papa Paulo VI: Exortações apostólicas Marialis cultus, 1974 e Signum magnum, 1967.
8. Papa João Paulo II: Encíclica Redentoris Mater (1987), Exortação Apostólica Redentoris custos, 1989 e Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, (2002).

  Além da Mariologia sistemática acima, pode-se compreender estudos interessantes sobre a Mariologia histórica (estuda a base histórica de Maria), Mariologia bíblica (versa sobre os fundamentos bíblicos das afirmações sobre Maria) e a Mariologia popular (procura os fundamentos da religiosidade popular e devoções marianas).
A luz dessas subdivisões da mariologia, pode-se ainda estudar os seis períodos da divulgação pública da mariologia:

1. O início da Igreja.
2. Período compreendido entre o final da revelação para o Concílio de Éfeso 431.
3. Período de Éfeso para a Reforma Gregoriana.
4. A partir de 1.000 até que o Concílio de Trento.
5. De Trento até Vaticano II.
6. Desde o Concílio Vaticano II (50 anos de história da reflexão e sugestões) aos presentes dias.

A Igreja Católica tem assumido com seus sacerdotes e leigos engajados, juntamente com outras entidades cristãs ou não cristãs, atividades e pastorais de valor social e eclesial na defesa da vida humana, da ecologia, dos direitos das minorias, do asilo e proteção aos migrantes, aos índios, dos negros, etc.
Por muitos modos, Deus nos mostrou sua revelação em Cristo, o qual nasceu da Bem-Aventurada Virgem Maria, mãe de Deus e da Igreja.
Contudo, ao longo dos séculos, diversidades e adversidades em torno da figura de Maria surgiram, exigindo um posicionamento da Igreja católica até o Vaticano II. (veja sobre Maria e o seu culto em Lumen Gentium, parágrafos nºs 53 até 68)
Da Lumen Gentium, selecionamos alguns textos sobre a Virgem Maria no mistério do Corpo místico. Pela encarnação, a virgem “recebeu o Verbo [ou Palavra de Deus – o Cristo Senhor Nosso –] no seu coração e no seu corpo”. Deus quis Jesus nascido da Virgem “por amor de nós homens e pela nossa salvação”. Por isso é enaltecida sobremaneira como “Mãe de Deus em vista dos méritos de seu Filho e foi a primeira redimida de modo sublime e puro e unida a Jesus por um vínculo estreito e indissolúvel.” “Por isso, é a Filha predileta de Deus Pai, sacrário do Espírito Santo”, por Cristo e em Cristo, nos salvou como os filhos exilados de Eva e da “estirpe de Adão”.
Não se trata de uma mariolatria e nem de exageros, de que nos adverte a Lumen Gentium, mas de reconhecimento do lugar que Maria ocupa na Igreja e na Comunhão dos Santos: é “a mais alta posição depois de Cristo e o mais próximo de nós”, como tipo e modelo de Igreja pura e solícita ao projeto de Deus. Nela, o esboço maior que foi concretizado para nossa salvação, dando-nos Cristo-homem e Deus. O projeto de Deus em Gênesis 3, 15 tem como finalidade: “a vitória sobre a serpente.” Ela em seu magnificat, canto de exultação a Deus, é a modelo dos humildes e pobres abertos a Deus.
As questões de ordem bíblico-pastoral continuam a inquietar os cristãos e outros crentes e não crentes diante do mistério da participação de Maria Santíssima no único e mesmo mistério salvífico de Cristo como único mediador entre Deus e os homens.
 Se, de um lado, exige-se flexibilidade para o trabalho pastoral com o crescente número de seitas e religiões; de outro, a presença da mulher é mais visível nas igrejas e religiões se compararmos com a ação delas antes do Vaticano II.
As questões bíblico-pastorais são inúmeras quanto à discussão contemporânea nesse tempo de crises de identidade e migração global, diante da crítica dos modelos de sociedade e a saturação da erotização nos meios de comunicação social e na internet.
Perguntamo-nos de que modo a nossa fé em Maria, Mãe de Jesus, nos ilumina no meio de realidades tão desafiantes e complexas.  O conceito de família, de gênero e de novas opções sexuais vem circulando cada vez mais no embate da mídia e nas escolas. As questões sociológicas antigas continuam a incomodar como a fome, a guerra e as injustiças decorrentes da disparidade de condições entre ricos e pobres.
Outros paradoxos ainda se destacam, infelizmente, como a idolatria do poder nas mãos de corruptos, dos esportes que endinheiram jogadores, a legalização do “direito” de consumo de drogas ilícitas, o tráfico de mulheres e crianças cada vez mais a insurgir em todos os continentes, a violação dos direitos humanos e da ecologia, o desemprego estrutural que atinge a todas as idades no mundo inteiro que vem sendo preocupação da Igreja e do atual papa Francisco, dentre tantos outros.
Para bem situarmos Maria como a nova Eva, soube Ela escolher o caminho da Vida, segundo o que nos afirma as escrituras sagradas e a Didaqué em sua instrução do Senhor através dos 12 Apóstolos aos gentios, baseada no Salmo bíblico nº 01, prólogo da tradição javista, no antigo testamento, em que se aproxima a figura do justo à imagem da frondosa árvore. Maria, virgem fiel, escolheu a Lei Perfeita do Altíssimo. “Nesta lei, medita noite e dia!” Ela como mulher Justa “é a árvore, plantada à fonte pura do Éden”, de onde fora expulsos nossos pais Adão e Eva. Pelos méritos da SS. Trindade, Maria deu e continua dando frutos de graça e nos auxilia na nossa salvação, em vista dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo. “No tempo devido”, o Pai Eterno e o Espírito Santo nos concederam a Encarnação do Filho de Deus em Cristo Jesus, segunda Pessoa da Trindade Santíssima. Mereceu-nos a Justiça Divina, o melhor fruto – Jesus – nos foi entregue por Deus em Maria, cujas “folhas” [de sua virgindade e Maternidade imaculadas] “nuca murcham”; que Deus fez e faz “é perfeito e bem sucedido” para nosso bem.
Com a tradição da Igreja, desde os primeiros tempos do Cristianismo, ousamos dizer: “Ad Iesum per Mariam”, isto é, Junto de Jesus por meio de Maria. Ou afirmar em consonância com o dogma da Imaculada Conceição de Maria:

"És tu toda bela e formosa, ó Maria. E a Mácula original não há em Ti.  Tu és a glória de Jerusalém; és a alegria pura de Israel; És a honra de nosso povo; És a advogada dos pecadores; És Virgem prudentíssima, Mãe clementíssima. Ó Maria, roga por nós! Interceda por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo. Tu és, ó Virgem, Imaculada em tua Conceição. Roga por nós ao Pai, cujo filho destes à luz. Oremos! Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da virgem Maria, preparastes a vosso Filho digna habitação, nós vos rogamos que, como preservastes de toda a mancha pela previsão da morte de seu mesmo Filho, nos concedais por sua intercessão que, também puros, cheguemos até vós. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém." (MANUAL DO CORAÇÃO DE JESUS, p. 225)


1. MARIA, MÃE DE JESUS, A FILHA DE SIÃO

“Alegra-te, filha de Sião (…) o Senhor teu Deus está no teu seio.” (Sofonias 3, 14.17).

O Cristianismo em sua origem, influenciado pelo Judaísmo, foi se distanciando aos poucos, até assumir sua identidade em novos contextos culturais. Essa aclimatação da fé às realidades do mundo está marcada por traços de forte hibridismo culturais.
As figuras de Pedro e Paulo nos Atos dos Apóstolos são os alicerces dos seguidores do Caminho, segundo a comunidade de São Lucas.
Juntamente com as questões cristológicas e eclesiológicas, a mariologia teve seus primeiros passos em termos de conceituação na Igreja Primitiva, base sobre a qual a Patrística se debruçou.
Os primeiros cristãos vindos do judaísmo e das culturas greco-romanas fizeram uma investigação e pesquisa cuidadosa sobre as fontes veterotestamentárias para fundamentar a participação de Maria no mistério soteriólogico.
Uma das preocupações está na relação da serva do Senhor com a Filha de Sião, título aplicado às mulheres do Antigo testamento como Judite, Rute e Ester.
Sião, sede do Reino de Israel, está na cidade de Jerusalém. Embora o traço do Patriarcalismo seja dominante e constante nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, algumas mulheres se destacaram no povo de Deus de todos os tempos.
O título Filha de Sião, que carrega o Filho de Deus em seu útero puríssimo está vivo nas letras sagradas do Antigo Testamento, na passagem do profeta Sofonias 3, 14.17.
A Virgem Maria com “sua glória é igual ao fruto da Oliveira” (Oseias 14,6); daí o título de Nossa Senhora da Oliveira, devoção em Guimarães, Portugal.
(FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:T%C3%ADtulos_de_Maria,_m%C3%A3e_de_Jesus)
Lumen Gentium, no parágrafo 55, afirma:

"Com ela, enfim, excelsa Filha de Sião, depois de uma demorada espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova Economia, quando o Filho de Deus assumiu dela a natureza humana a fim de livrar o homem do pecado pelo mistério de Sua carne." (LG 143, § 55)

2. MARIA, MÃE DA COMUNIDADE CRISTÃ

"Feliz és tu, Maria", pioneira de um mundo novo, “porque acreditaste em tudo quanto te foi dito da parte do Senhor.” (Lucas 1, 45)

Os evangelhos em geral, especialmente a Comunidade de Lucas e de São João Evangelista, evocam Maria como mãe da comunidade de fé dos seguidores do Caminho. Em grego, há duas palavras para designar caminho: rodos e método. Na verdade, trata-se de uma experiência de fé no Kerigma, palavra grega para indicar o anúncio de Jesus sofredor, crucificado e ressuscitado para a salvação dos homens e mulheres.
Coube a comunidade primitiva zelar pelo anúncio das primeiras verdades de fé. Em nome de Cristo, mártires e evangelizadores como os apóstolos e discípulos, muitos deram a vida ou derramaram seu sangue, em nome das verdades da fé cristã.
São Lucas, após minuciosa pesquisa, empenhou em organizar e selecionar material, documentos, testemunhos da tradição sobre Maria e a infância de Jesus, ainda presentes na comunidade. Não só, mas também soube dimensionar um estudo sistemático sobre a história do tempo de Jesus e da Igreja como vimos nas páginas do seu Evangelho e dos Atos dos Apóstolos.
É provável que talvez tenha sido uma mesma obra, contudo, a comunidade cristã ao longo do tempo foi se organizando melhor e quis separar os dois textos acima, cuja identidade vai alavancar consequências saudáveis: a vida de Jesus e a vida da Igreja primitiva com seus agentes pastorais e eclesiais de peso.
Nesses dois volumes, únicos ou separados, a Igreja, Ecclesia ou Assembleia como comunidades dos que creem em Cristo, viram com bons olhos, a visão da fé, a presença marcante de Maria e outras mulheres.
Maria, participante do ministério público de seu filho, agora está engajada nos primeiros passos da Igreja primitiva dos apóstolos.
O fato de conservar em seu coração as palavras de Jesus e as meditar – isso lhe confere um valor inestimável das memórias coletivas e pessoas sobre Jesus e seu ministério, sua vida oculta e pública, suas palavras e suas ações e sinais no meio do povo de Israel, desde Galileia até Jerusalém.
A liderança e a presença carismática de Maria, a Virgem de Nazaré, se fazem sinal messiânico e escatológico da missão da igreja e da sua ação no mundo em Jerusalém e para além de Jerusalém. Ou seja, consegue conciliar cristão vindos do Judaísmo e os primeiros convertidos do mundo greco-romano com a ajuda dos apóstolos.
Sua imagem permaneceu viva e eficaz após a morte de Maria porque o evangelista Lucas interrogou, lá pelos anos 70 e 80 depois de Cristo, os parentes de Maria sobre sua vida e a vida de Jesus em Belém e Nazaré.
Nesse contexto, é que as comunidades vindas do judaísmo, do paganismo e igreja de Roma ou das catacumbas, viram em Maria a primeira seguidora e a irmã mais velha a confirmar os irmãos na fé em Cristo, nosso irmão-salvador.
 Os títulos que Deus e o povo a agraciou ao longo da história são decorrentes de sua intercessão e mediação na única mediação de Cristo. Por quê? “Veemente sofreu junto com seu Unigênito. E com ânimo materno se associou ao seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima por ela mesma gerada”, nos diz o Vaticano II. (LUMEM GENTIUM § 58)
Por esses e outros santos motivos, a Igreja proclamou com Pio IX e outros papas o dogma da IMACULADA CONCEIÇÃO e da Assunção de Maria.
A Lumem  Gentium, § 59 resume, belissimamente, “Finalmente, a Imaculada conceição, preserva imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”, conforme o Apocalipse 19, 16.
A Imaculada conceição foi decretada por Pio IX em 1854.
A Assunção de Nossa Senhora foi decretada por Pio XII em 1950.

3. MARIA, MÃE DE DEUS

“Eis a serva do Senhor (...) Todas as gerações a proclamarão Bem-Aventurada (Lc 1, 38. 48).

“Relembra a proclamação de Maria como Mãe de todo o povo de Deus, pelo Papa Paulo VI em 1964, durante o Concílio Vaticano II.” (FONTE://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:T%C3%ADtulos_de_Maria,_m%C3%A3e_de_Jesus).
MATOS (1986) nos contextualiza, na era apostólica e dos mártires, as várias heresias que foram combatidas pela patrística e concílios ecumênicos, confirmando o credos Símbolo dos Apóstolos e aprofundando a formulação do Credo Niceno-constantinopolitano. Nesses credos, Maria é solenemente “Jesus, seu filho único de Deus, nosso Senhor, foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria.” (Símbolo dos Apóstolos) E no Credo Niceno-constantinopolitano, afirma-se com solenidade: “Jesus Cristo, Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, (...) desceu dos céus: e se encarnou, pelo Espírito Santo, no sei da Virgem Maria e se fez homem.”
Em 393, Santo Agostinho soube contrapor aos Donatistas e aos Pelagianos.
Os primeiros negavam a natureza humana de Cristo nascido em Maria. Então, para eles, Cristo tinha uma natureza aparente, parecida com os humanos. Apenas era Deus, sem a necessidade de Maria para conceber o filho de Deus. Ora, Santo Agostinho afirma das Escrituras e das Profecias o desejo de Deus em nascer de uma Virgem e que o Filho de Deus “se fez homem” realmente como “o Logós/ Verbo Divino se fez carne e habitou entre nós” nos Evangelhos.
Os segundos negavam a existência do pecado original e, portanto, a necessidade de uma graça eficiente contra o pecado. Ora, se Cristo não morreu pelos nossos pecados; apenas nos deu um bom exemplo. Não há necessidade de um salvador nascer e de uma virgem conceber um Deus salvador. Negando a vinda de Cristo e a necessidade da graça em Maria p ara a salvação do mundo, Pelágio havia tentado esvaziar o mistério de Cristo e da Encarnação. Agostinho e os concílios vão contrapor as verdades da Bíblia e a Encarnação no corpo virginal de Maria Santíssima.
Assim, isso é fruto da dedicação dos concílios que defenderam a maternidade de Maria como sinal consequente da Divindade de Jesus.  Por exemplo, em 325, O concílio de Niceia se posicionou contra o arianismo, mostrando a igualdade substancial entre o Filho e o Pai Eterno. Então, Maria é a mãe do Filho de Deus e faz a vontade soberana de Deus-Pai.
O Concílio de Constantinopla, em 381, contra Macedônio, defende a divindade do Espírito Santo. Nesse sentido, Maria é a que concebe o filho de Deus por obra do Espírito de Deus, segundo as escrituras e os evangelhos.
Em 431, o Concílio de Éfeso, contra Nestório, declara que Maria é a mãe de Deus – no grego – Teotòkos.  Esse concílio tem valor mariológico inesgotável.
Em 451, o concílio de Calcedônia, contra os monofisitas, declara as duas naturezas na única pessoa de Cristo. Ora, Maria é a que, no plano de Deus, tem em si, a concepção virginal de Cristo, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ou seja, em cristo, há duas naturezas: a humana e a divina.
A natureza humana de Jesus vem do corpo virginal de Maria, que é concebida sem pecado em vista dos méritos de Jesus!
“Seu Filho primogênito, que não lhe violou” [na concepção virginal em seu seio de Mãe após o anúncio do anjo], “mas sagrou a integridade virginal”, conforme as palavras da Lumem Gentium § 57. Porque foi o mesmo Espírito Santo a cobrir com sua misteriosa e pura sombra para conceber o Emanuel e chamá-lo JESUS por Maria após o nascimento. Decorrente dessa presença de Jesus no seio virginal de Maria, João, o precursor de Jesus, é santificado em sua mãe Isabel.
A Virgem Maria, “na ordem da graça divina” (LUMEM GENTIUM, § 61, 62, 64) se tornou cooperada da obra do Salvador e está incluída na única mediação de Cristo como única fonte da salvação. Em vista dos “superabundantes méritos de Cristo”, participa da salvação dos homens. Essa sua participação é compreensiva como em seu Fiat ou sim na Encarnação, sua mediação nas Bodas de Caná da Galileia, a sua adesão final ao Cristo no Gólgota, sua presença no cenáculo e no Pentecoste, nos primeiros momentos de gestação da Igreja primitiva. Nesse sentido e por isso, “a Mãe de Deus é o tipo da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo.”
Como nova Eva, ouve do anúncio de Gabriel a modificação do nome de Eva em Ave ou Alegra-te. E a “Cheia de Graça” e “Bem-Aventurada” eternamente segundo Lucas 1, 48.
Temos o zelo do culto de veneração e não adoração a Mãe de Deus. Sua dignidade e eleição estão nos planos de Deus e ela mesma reconhece-se como a Serva de Senhor ou “Ancilla Domini”. “Deus não se serviu de Maria como instrumento meramente passiva para nossa salvação; obedecendo, se fez salvação para si e como para todo o gênero humano”, conforme afirma Santo Irineu. (LUMEM GENTIUM § 56) Por isso, o Apocalipse, consagra a Maria o título de Rainha do Universo ao reconhecê-la como a Virgem da Igreja perseguida no Império Romano e em quaisquer momentos da História humana.
Ela nos ensina com a oração e com as atitudes de fé e caridade a continuar a esperar em Deus, Senhor da História da Salvação, nos momentos mais difíceis de nossa vida coletiva e pessoal, em nosso continente latino-americano. Que como os apóstolos estejamos “perseverando em oração com Maria, Mãe de Jesus” (ATOS 1, 14).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na América Latina, vários documentos e devoções visualizam de maneira providencial e profunda o amor pela Mãe de Deus, a Virgem Maria. Nesses documentos, destacam-se estudos e textos sobre o rosto materno de Deus e como nossos povos cultuam a Maria. Especialmente, evocamos a presença de Deus e de Maria no rosto dos nossos povos e na juventude em Puebla (1979).
“Os meios de comunicação social têm-se convertido muitas vezes em veículo de propaganda do materialismo reinante, pragmático e consumiste, e criam em nosso povo falsas expectativas, necessidades fictícias, graves frustrações e um doentio afã competitivo. [Então, nesse documento, há algumas] “sugestões pastorais: 1. Fomentar, em união com os agentes de pastoral familiar, a responsabilidade da família, especialmente dos pais, em todos os aspectos do processo educativo. 2. Favorecer sua democratização da Educação Católica em: a) Instância efetiva de assimilação crítica, sistemática e integradora do saber e da cultura geral. b) Lugar mais apto para o diálogo entre a fé e a ciência. c) Alternativa válida para o pluralismo educacional.
d) Ajudar os jovens a redescobrirem e aprofundarem o sentido pastoral de seu trabalho.
3. Orientar e acompanhar os jovens diante do grave problema da incapacidade do sistema educativo e social para poder satisfazer a todas as demandas: esta incapacidade deixa frustrados a milhares de jovens, porque muitos não entram na universidade, e porque muitos que delas saem não encontram emprego.
4. Formar verdadeiros líderes, construtores de uma nova sociedade para conhecer a mensagem do Evangelho, tornando-se presente à educação política, e social de seus membros, iluminando a pesquisa científica.
5.Promover urna cultura integral capaz de formar pessoas que sobressaiam pelos profundos conhecimentos científicos e humanísticos; pelo "testemunho de fé perante o mundo" (GE 10); pela prática sincera da moral cristã e pelo compromisso na criação duma nova América Latina mais justa e fraterna. Desta forma, contribuirá ativa e eficazmente para a criação e renovação da nossa cultura, transformada pela força do Evangelho, na qual o nacional, o humano e o cristão consigam harmonizar-se da melhor maneira.
6. Oferecer breves cursos especializados de educação continuada para adultos, extensão pastoral à oportunidade e serviços para marginalizados e pobres. [Porque] a evangelização, o anúncio do Reino, o Kerigma são “comunicação: portanto, a comunicação social deve ser levada em conta em todos os aspectos da transmissão da Boa Nova.”
Recentemente, no Documento de Aparecida (2007), há marcas mariológicas de ações pastorais que permeiam nossas liturgias e encontros bíblicos. Esse documento faz alusões sobre o papel de Maria na evangelização. Especialmente, invocam-na como Mãe de Jesus e dos discípulos, Perfeita discípula e Pedagoga da Evangelização latino-americana.
Dentre “os desafios e diretrizes pastorais, o Doc. de Aparecida evidenciou:

1. Os novos desafios da globalização: incidências antropológicas, religiosas e culturais
2. Questões em torno à vida, família, moral sexual, ética e bioética
3. As novas comunidades de vida na Igreja
4. A presença dos cristãos na sociedade (na política, no mundo profissional)
5. A auto-sustentação da Igreja numa economia de comunhão
6. A pastoral urbana: a cidade, seus novos sujeitos sociais e eclesiais e as periferias
7. A pastoral midiática (comunidade real - virtual)
8. A pastoral da mobilidade humana e das migrações
9. O diálogo ecumênico, inter-religioso e cultural” (Doc. Aparecida)

“A Igreja conserva a opção pelos pobres e pelos jovens no contexto do terceiro milênio e as comunidades eclesiais de base como opção criativa de evangelização.” (Doc. Aparecida)

A proposta da missão continental se faz:

1. Em comunidades vivas: a formação da comunidade como “casa e escola de comunhão”
2. pela religiosidade popular e pela sua força evangelizadora
3. A formação dos leigos em vista do seu protagonismo na evangelização
Entre os peritos dessa conferência, destaco a presença do Papa Francisco como ainda Dom Jorge Mario Cardeal Bergoglio, SJ, Arcebispo de Buenos Aires, Argentina. (Doc. Aparecida)

Houve participação de outros peritos, como:
 Sra. Norma Treviño-Cueva de Villarreal Grupo Interdisciplinar para os Temas das Mulheres México

Professor Guzmán Carriquiry Subsecretario do Pontifício Conselho para os Leigos Uruguai

Lic. Ana Maria Fons Martín Diretora Nacional de Leigos  (Doc. Aparecida)

Embora os desafios da evangelização sejam graves e complexos com a globalização das culturas, e as novas tecnologias podem nos ajudar com maior eficiência,  não temos a hora certa de Cristo para a humanidade. Essa questão escatológica fica nos arcanos secretos do Pai Eterno. Cabe-nos pedir que Maria, Auxilio dos Cristãos, nos acompanhe até a hora de Deus, que se faz presente de alguma forma nas horas de nossa vida. Temos Maria e os Santos como excelente presença diante de Cristo como nosso Advogado do Pai pela fé na comunhão dos santos.
Diante do sofrimentos de tantos irmãos e irmãs, pedimos o socorro a Virgem Mãe do Perpetuo Socorro e com seu doce olhar de Virgem de Guadalupe para que “não nos deixeis cair em tentação e nos livrai do Maligno” , além de orarmos com fé o pai-nosso, a Ave-Maria e Salve Rainha. Nessa última e linda oração, recordemos seu “olhar a nos volvei, vossos filhos protegei... nesse vale de lágrimas” com a advogada divina no nome salvador de Jesus, no qual e pelo qual ela participa da única e eterna mediação de Jesus, nosso Salvador.
 E nosso olhar se volta para Belém e para Jerusalém: Maria é mãe de Jesus e nossa mãe. Em Belém, deu à luz a Cristo para o nosso bem como canta a cantiga de ninar natalina: Noite Feliz... Sim, Jesus é o melhor tesouro e nosso maior Bem. E em Jerusalém, Maria é a discípula fiel e amada que não foge, mas permanece com João Evangelista aos pés da Cruz e vai com ele, São João, e Pedro ao túmulo vazio, aguarda a manifestação do Ressuscitado no Cenáculo como testemunha viva da morte e ressurreição do Senhor para sempre nas narrativas evangélicas. Em Pentecostes, Maria é novamente testemunha do Espírito Santo sobre a igreja nascente. Com o Paráclito, não só concebeu o Cristo Jesus, mas ainda ajudou a gerar ou forjar a Igreja como comunidade dos primeiros seguidores em Jerusalém.  Ele se fez conosco Igreja para que nos tornássemos fieis seguidores de seu filho, fazendo sempre a melhor de sua vontade sobre o mundo e a história dos homens de todos os tempos, diante de quaisquer que sejam os tempos e os desafios do Reino, mesmo que estejamos longe de nossas igrejas e perseguidos na sociedade, cansados e atribulados por causa do nome santo de Jesus, mas perto do coração de Jesus Cristo, “manso e humilde”, no solo da América Latina, porção do  Povo de Deus nos continentes, conforme o desejo santo de Cristo: “Ide e Evangelizai”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEAUDE, Pierre-Marie. De acordo com as escrituras. Paulinas, 1982.
A BÍBLIA DE JERUSALÉM – Paulinas, 1973.
BÍBLIA FÁCIL. Centro bíblico católico. Imprimatur: Dom Décio Pereira - São Paulo, 1986.
ATOS DOS APÓSTOLOS
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA - 1999
CONCÍLIO VATICANO II – Vozes, 1968.
COTHENET, Edouard. São Paulo e o seu tempo. Paulinas, 1985.
CURY, Augusto. O mestre dos mestres. Jesus, o maior educador da história. Sextante, 2006.
CHARPENTIER, Etienne. Para uma primeira leitura da Bíblia. 1982.
FIGUEIREDO, Fernando Antônio. Curso de Teologia Patrísticas I. Ed. Vozes, 1983.
DIDAQUÉ. Frei Alberto Bechkhäuser (coord.). Urbano Zilles (comentários). Petrópolis: Vozes, 1986.
DOCUMENTO DE APARECIDA – 2007
GEORGE, A. Leitura do Evangelho segundo Lucas. Ed. Paulinas, 1982.
LANCELLOTTI, Boccalli. Comentários aos Evangelhos de São Lucas. Vozes, 1983.
MANUAL DO CORAÇÃO DE JESUS PARA OS ASSOCIADOS DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO – Editora do Coração de Jesus - 1971.
PUEBLA – 1979.
MATOS, Henrique Cristiano José. A Igreja na história: faixa de tempo da história do cristianismo. Belo Horizonte: PUCMG. 1986.
SUMA TEOLÓGICA DE SANTO TOMÁS DE AQUINO
VIDA PASTORAL: Evangelho de Lucas: fé cristã e justiça social – out. 2013, ano 54, nº 292.
WROSZ, Padre Vicente. Respostas da bíblia às acusações dos “crentes” contra a igreja católica: palavra de Deus para cada lar cristão. Livraria Sverdi, Paraná, 1997.

REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

1. FILME DUNS SCOTO EM Cine Família | Beato Duns Scoto - Dia 08 de Dezembro de 2013, às 14:45, na Rede Aparecida. Disponível as frases bíblicas em: <http://www.franciscanos.org.br/?p=4351 e  http://www.franciscanos.org.br/?p=4351#sthash.eDDEmjRx.dpuf >. Acesso em: 27/12/13.

2. Disponível as frases bíblicas em: <http://www.imissio.net/liturgia/item/1418-feliz-porque-acreditou-felizes-seremos-domingo-ii-do-advento>. Acesso em: 27/12/13.

3. Disponível a Mariologia em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariologia>. Acesso em: 27/12/13.

4. Disponível os títulos de Maria em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:T%C3%ADtulos_de_Maria,_m%C3%A3e_de_Jesus>. Acesso em: 27/12/13.

5. Disponível o rosto dos jovens em Puebla em: <http://www.dhnet.org.br/dados/livros/memoria/mundo/puebla.html>.
Acesso em: 27/12/13.

6. Disponível Documento do V Conferência do Episcopado Latino-americana e do Caribe em Aparecida – CELAM - em:
<http://www.dhnet.org.br/direitos/cjp/a_pdf/cnbb_2007_documento_de_aparecida.pdf>  e <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_Confer%C3%AAncia_Geral_do_Episcopado_Latino-americano_e_do_Caribe >. Acesso em: 27/12/13.

J B Pereira
Enviado por J B Pereira em 03/01/2014
Reeditado em 03/01/2014
Código do texto: T4635593
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
2301 textos (1287870 leituras)
14 e-livros (90 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/19 04:33)
J B Pereira