
A chuva em mim
A chuva cai.
Molha a terra. A embebeda.
Na janela olho.
Sinto a brisa entrando aos poucos.
Fria. Envolve. Molha.
Irresistível não estar lá fora.
E vou para debaixo das torrentes de água que caem dos céus.
Céu cinza, nublado, sem cor...melancólico.
Eu e a chuva sob ele.
Ergo as mãos e chamo a atenção das águas para mim.
Logo me encontram e me veem molhar por inteira.
Águas que desmancham o cabelo, enchem as mãos.
Descem pela face e se encontram nos lábios.
Num rodopio me deixo molhar. Festa de chuva em mim.
O corpo à mostra, arrepia tamanho é o frio. Intenso frio. Querido frio.
Seus olhos me veem.
Na janela por onde entra a brisa posso lhe ver; me olhas.
Me deixo ser olhada.
Meu olhar encontra o teu que sem palavras diz me querer para si.
Despeço-me da chuva. Volto para você!
Passos molhados pela casa.
Roupas molhadas pelo chão.
Vento frio que corre.
Corpos quentes entrelaçados.
A chuva se foi, e somente você agora permanece em mim.