AINDA ASSIM

 

Sinto que a minha vida,

Está inteira na lembrança,

Que chega, me alegra,

E o vento, depressa desmancha.

 

Sinto que sou refém da saudade,

Sou o seu soberano recinto,

Que ela penetra na intimidade,

Fragmenta o eu labirinto.

 

Ainda assim, eu falo,

Te falo, eu falo, não calo,

Porque o amor não se cansa,

Das horas perdidas, esquecidas,

E outros tantos desencantos.

 

O amor é resiliente,

É multiplicada semente,

Não se dá por extinto,

Renasce da fugacidade,

Das quimeras pulverizadas.

 

Som de folhas orvalhadas,

Na manhã verde-esperança.

 

Sim! Sonoramente,

A manhã fulge... urge-me ser amada.

 

foto

HLuna

DELEY