Vadia

Essa mulher que ora perambula

Pelas ruas, nos bares, nas calçadas...

De vestidos e saias levantadas,

Ao olhar que desnuda e encabula.

 

Mulher moça de roupa decotada,

De andar rebolado e displicente,

Incapaz de mostrar a dor que sente

E esconder os trejeitos de coitada.

 

Essa moça que o ventre acaricia,

Que se vende em pedaço à freguesia,

Pelo preço vigente, a qualquer hora...

 

Para uns é somente uma vadia.

Uma vil e vulgar mercadoria,

Mas que sente, e deseja, e ri, e chora.

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Agradeço ao poeta Jota Garcia a delicadeza de compartilhar comigo o seu talento.

 

INUMANA MÁQUINA 
Jota Garcia

 

Tudo que é mau, feio e impuro,
Que carregado de tabus e segredo,
Causa ojeriza, nojo ou medo,
Quase sempre floresce no escuro.

 

É neste clima de reprovação 
Que vive e labora a prostituta, 
Onde cria, promove e executa 
Os encargos de sua profissão. 

 

Para muitos desconhece o amor.
Inumana máquina de prazer,
Imune aos sentimentos e à dor. 

 

Mas bem no fundo de seus corações, 
e encontram todas as emoções 
Que dos outros vivem a esconder. 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 17/11/2021
Reeditado em 18/11/2021
Código do texto: T7387432
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