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Analfabetismo Científico

Um dos maiores problemas no campo educativo da sociedade atual chama-se analfabetismo científico. Às vezes um cidadão pode ter pleno domínio da leitura e escrita, ser instruído, ter títulos, vasta cultura e ainda assim ser um analfabeto científico. Segundo o levantamento do ILC (Índice de Letramento Científico) no Brasil, realizado em 2014 entre pessoas de 15 a 40 anos, apenas 5% da população pode ser considerada proficiente em ciências, enquanto que mais da metade sequer consegue aplicar as questões mais básicas que aprendeu na escola em seu cotidiano. Estes dados refletem a precariedade da educação no país, sobretudo sobre questões de ciência e tecnologia. Diante desta realidade, inúmeros problemas podem surgir no cotidiano do brasileiro. Como ressalta a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lucia Lima: “No dia a dia, isso se manifesta quando a cabeleireira usa um produto que ela deveria saber que faz mal ou quando os pais medicam os filhos por conta própria sem pensar nos efeitos colaterais ou nas interações entre medicamentos”. E este desconhecimento geral da ciência tem impactos em questões mais amplas da nossa sociedade, como aponta o presidente do Instituto Abramundo, o Ricardo Uzal Garcia: “Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam o status quo”; e o Garcia ainda acrescenta: “Além disso, o brasileiro não parece, em geral, preparado para opinar sobre grandes temas da ciência nem para tomar decisões cada vez mais necessárias sobre temas como transgênicos e células-tronco.” Neste contexto vale salientar que outras questões relevantes, polêmicas e problemáticas na nossa sociedade são subinterpretadas e analisadas de forma extremamente superficial pela população leiga; como meio ambiente, inovação tecnológica, saúde, ética na ciência, sexualidade, etc. Sendo assim, é indiscútivel a conclusão de que o elevado índice de analfabetismo científico em nossa nociedade acarreta em prejuízos diretos e indiretos para os cidadãos. Um investimento massivo em educação científica faz-se necessário em nosso país, com tantos potenciais de inovação e pesquisa que atualmente são desperdiçados. No entanto, este investimento não pode ser restringido apenas à educação formal (escolar), mas também deve envolver a educação não-formal propiciada pela mídia, empresas privadas e públicas, ONGs, trabalhos volutários educativos e pelo incentivo na educação familiar. Apenas uma educação ampla e catalisadora será capaz de modificar este lamentável panorama de ignorância e desvalorização do conhecimento científico. Pode soar utópico para alguns, mas acredito no (sub-aproveitado) potencial científico do nosso país. Acredito na curiosidade (ainda que mal explorada) inerente ao ser humano de compreender como o mundo e as coisas funcionam. E sobretudo, acredito na ciência (e tecnologia) como a força motriz de uma sociedade próspera, desenvolvida, justa, civilizada e sustentável.
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/brasileiro-analfabeto-cientifico
Rafalove
Enviado por Rafalove em 20/02/2020
Código do texto: T6870769
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Sobre o autor
Rafalove
Recife - Pernambuco - Brasil, 39 anos
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