Paródia
1 Quando a mim, não tenhais vergonha da injúria!
2 Meu mal é ainda meu bem somente.
3 Se gritardes 'Violência!' e chamardes por ajuda, não clamaríeis justiça.
4 Se quereis, por fim, contra mim levantar vossa altivez, e visais-me pelo meu opróbrio, — ora, que seja!
5 Sabei cá que eu próprio me transformo, e com meu mal eu me alegro.
6 Até os pequeninos me desprezam, e, levantando-me eu, zombavam de mim.
7 Somente os homens que me abominam e se tornam contra mim eu amo.
8 Um dia também me fora túmulo a alma, mas que eu a prendi bem aos dentes.
9 Por que não me perseguis, e da minha carne, por que não vos fartais?
10 Que me sejam famintos os abutres e que me bebam todo!
11 Ah! Quisera toda minha voz marcada no eterno coração do homem, para que quando toda pedra quebrar e toda a pele apodrecer, estivesse lá ressoando meu canto e minhas boas-vindas!