Inscrições

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É preciso ler o cardápio para viver?

Quem escreveu a receita da vida e publicou nos anais da existência?

Todas as normas foram editadas para controlar e adestrar; deixar o sujeito refém de ditames que o vilipendiam e o constroem a partir de regulamentos preestabelecidos.

Cada construção responde ao jogo das convenções e cada sujeito é subordinado ao discurso do projeto uniforme.

Há um texto lido, desde a hora em que o corpo se apresenta à vida. Decora-se esse manual e se faz.

Percebe-se claramente a nulidade do indivíduo.

As marcas deixadas pelo domínio são inscritas no corpo, no cerne do sujeito. O corpo só é corpo segundo paradigmas institucionalizados. O corpo só é corpo se responder ao modelo convencional. O corpo só é corpo se se anular enquanto corpo.

O corpo ainda é um espaço dominado pelo outro, construído para responder às convenções e o morador deve se submeter e pagar o aluguel da casa que não lhe pertence. Nota-se o pertencimento e o domínio através de discursos que analisam o corpo e o fixam.

O corpo é projetado e uniformizado!

Entender a vida é viver segundo.

É necessário desapropriar-se para contemplar toda a existência.

Aquele que nega; afirma.

Mário Paternostro