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Maria Estela Severino Faustino fez o projeto “Mulheridade”: O psicodrama na construção de grupos de espera no serviço de saúde

Maria Estela Severino Faustino fez o projeto como visão construtiva, monografia do “lato sensu” no GOGEAE – PUCSP em 2000.

Resenha de J B Pereira em 13/08/2012.

A monografia é mostrada em 6 partes, incluindo referências bibliográficas, totalizando 84 páginas. Existe um olhar de arte sobre as questões de saúde pública da mulher logo no inicio do século XXI.  Há duas ilustrações feitas pela autora: o rosto fragmentado em perfis de mulheres na contracapa e a mulher eroticamente desenhada em uma lâmina de plástico em tons amarelos, vermelho e verde-azul. Vários insights  de análise onde articula valores de diferentes saberes sobre a vida como uma dialética existencial à luz da proposta de J.L. Moreno em Psicolterapia de grupo e psicodrama (1974) e outras obras desse autor, valendo ainda destacar seus trabalhos de 1994, que versa sobre os fundamentos da sociometria.
A sociometria é a ciência da medida do relacionamento humano no âmbito do trabalho profissional nas instituições, buscando critérios de atendimento na área da saúde à luz dos direitos constitucionais das mulheres. Para a Maria Estela, “o poder é um fenômeno relacional.(...) prioriza-se o uso de rede como ampliação de decisões” na efetivação de demandas da comunidade quanto à saúde da mulher, frente aos desafios  da crise social. (p. 9) A centralidade do tema Muheridade vincula-se a outros significados simbólicos e culturais na tensão “política versus política.” (p. 13) As reflexões de Moreno sobre a solidariedade e a busca da simpatia implicam a capacidade de superação do egoísmo e a sensibilidade. Isso é resumido por ele como jogos de escolha e a coragem de sonhar com o mundo cotidiano melhor. Para ele, “criar é fazer e cuidar” (p. 15) Isso implica autoestima, autoconhecimento e a busca de axiologia prática do cotidiano. Quando as pessoas se superam e se unem como uma boa causa comum, os resultados honestos acontecem. Historicamente, a mulher vem conquistando espaços sociais antes negados pelo patriarcalismo. Juntas, são mais fortes.  Interessante a reflexão de Nietsche: “é tão castrador mutilar o intelecto como mutilar o afeto.” Por isso, Moreno busca humanizar a sociedade e os grupos pela humanização de leis, a busca de leis fraternas... O homem é um ser-relação e em aberto e como ator, autor social e criativo, deve gerar em si e nos outros relações mais libertadoras em diversos contextos microssociológicos. O poder se exerge no aqui e agora! Por isso, aposta na criatividade e espontaneidade de radicais ações para uma revolução ético maior. Todos precisamos uns dos outros; seja bem-vindo quem acredita na mudança de uma sociedade a partir de núcleos de convivialidade próximos. Viver é um aprendizado constante. Já que estamos na sociedade e somos herdeiros  de valores, cabemos gerar novos contextos de superação e direcionamento de relações interpessoais na soluções de problemas reais. NINGUÉM PODE FAZER NADA SOZINHO. Quer onde estejamos podemos mudar nossa função social e desempenho.
A autonomia é sempre relativa porque implica o outro. E nas discussões descobrimos nosso lugar no grupo e nossos papeis sociais. Cada um tem seu interior, seu self, capaz de aperfeiçoar e mudar-se. É preciso reaprender a viver, um reviver para recriar-se e ressignificar na busca de superação de conflitos que comprometem o sentido da vida e na vida social. Há três contextos a considerar: o social, o grupal e o dramático. Partimos do “fazer de conta” ao “não precisar de fazer de conta”. E os instrumentos são: o protagonista, o diretor, o ego-auxiliar, o cenário e o público. As etapas são: aquecimento, dramatização, (catarse), compartihar emoções centrais, edificantes, superação do doloroso (desnudar-se). Técnicas: do espelho, do duplo, da inversão de papéis para ver-se no outro e sentir o outro. Alguns métodos podem ser usados como: eu-comigo, eu-outro, eu com o outro, eu com todos, representação de papeis... Estamos como continente grupal à deriva  - a realidade é maior que nós (por isso não nos damos conta de tantas mudanças e a velocidade das informações...) Contudo, temos condições ou bagagem existencial de vencer obstáculos e associar-se aos outros para uma causa social maior – o bem da sociedade. As dificuldades e crises nos grupos em sociodrama nos ativam a coragem de aprofundamento, superação de erros e desvios... Tornar-se flexível é mais saudável e vencer estereótipos é sabedoria.  Não se trata de negar-se e negar as dificuldades... Implica ser com os outros no presente da nossa história, ter a coragem de ariscar-se, trocar experiências, buscar flexibilidade e não julgar o outro à sua condição social de rico ou pobre... Vários saberes podem ajudar o ser humano se construir como ser-em-relação. Na verdade, só temos o momento presente para construir nosso ser, viver e amar. Nem sempre temos consciência de como e por que fazemos nossa história com os outros. É preciso ter fé na vida. Enquanto a morte não chega, vivamos!
Ela aborda cinco encontros à luz do método socionômico em discussão em sessões no Conjunto Hospitalar de Sorocaba, SP. No fim, há um lindo poema de Vinícius de Moraes (1981): "Acontecimento".


Acontecimento
Haverá na face de todos um profundo assombro
na face de alguns risos sutis cheios de reserva
Muitos se reunirão em lugares desertos
E falarão em voz baixa em novos possíveis milagres
Como se o milagre tivesse realmente se realizado
Muitos sentirão alegria
Porque deles é o primeiro milagre
E darão o óbolo do fariseu com ares humildes
Muitos não compreenderão
Porque suas inteligências vão somente até os processos
E já existem nos processos tantas dificuldades...
Alguns verão e julgarão com a alma
Outros verão e julgarão com a alma que eles não têm
Ouvirão apenas dizer...
Será belo e será ridículo
Haverá quem mude como os ventos
E haverá quem permaneça na pureza dos rochedos
No meio de todos eu ouvirei calado e atento, comovido e risonho
Escutando verdades e mentiras
Mas não dizendo nada
Só a alegria de alguns compreenderem bastará
Porque tudo aconteceu para que eles compreendessem
Que as águas mais turvas contêm ás vezes as pérolas mais belas

FONTE DO POEMA: http://www.casadobruxo.com.br/poesia/v/aconte.htm
J B Pereira e Maria Estela Severino Faustino fez o projeto “Mulheridade”: O psicodrama na construção de grupos de espera no serviço de saúde
Enviado por J B Pereira em 13/08/2012
Código do texto: T3829055
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira