Aos preconceitos
Aula de redação, às 22:00hs. Dobradinha no curso. Aula de 22:00hs às 8:00hs. Uma longa noite de aula iniciada por um polêmico debate sobre preconceito; um cartoon da gráfica bahiense abordando regras. De fato, foi impressionante a capacidade do professor de transmutar o cartoon para o assunto central da aula. Preconceito, preconceito, preconceito.
A meu ver, preconceito está completamente interligado à hipocrisia. Sabe? As pessoas (não são todas, é claro) dizem o tempo todo serem contra o preconceito e defendem com a alma as diferenças, mas eu, particularmente, não conheço ninguém que não tire uma piadinha com o “gordinho”, o “neguinho” e o “viadinho”. Lógico que existem outras formas de preconceito, mas essas são as mais comuns – até onde eu sei. Como alguém pode ser fazer contra o preconceito se o tornam maior a cada piadinha de mau gosto, a cada crítica destrutiva? Existe esse ser que não tenha nenhum preconceito?
Eu posso ser muito pessimista em pensar assim, contudo, pra mim isso nunca vai mudar, mesmo porque o ser humano é falho, e, certamente, sempre será; logo, não vou ver o dia em que o “neguinho” vai estar melhor que o branco sem ser discriminado por trás, a gordinha andando na rua sem receber olhares sarcásticos da modelo que está no padrão de beleza imposto, o “viadinho” beijando seu namorado na praça de alimentação do shopping sem chocar as famílias “decentes”.
Eu tenho que ser franco e deixar claro que não sigo padrões sociais, entretanto dizer que não sou preconceituoso em relação a alguma coisa me torna um mentiroso hipócrita – e detalhe da ópera, como todo ser humano, eu sou hipócrita