Quando o Coração Fala em Silêncio

Há momentos na vida em que tudo ao redor parece um eco distante. O tempo passa, as coisas acontecem, mas dentro de nós reina uma tempestade silenciosa. Foi assim que me senti anos atrás, diante de um sentimento que, por sua força, me paralisava: o amor.

O amor tem essa dualidade estranha. Ele nos ergue e nos faz sonhar, mas, às vezes, também nos mergulha em mares profundos de dúvidas e decepções. Naquele tempo, eu ansiava por alguém em quem pudesse confiar, alguém que me escutasse sem julgamentos. Mas as palavras que eu queria dizer pareciam presas, enquanto meu coração lutava para encontrar clareza.

Escrever era minha fuga. As palavras que não encontravam voz surgiam no papel. Era como se a caneta fosse minha confidente, meu refúgio, onde eu podia me abrir sem medo de parecer frágil ou tola. Em uma dessas noites, escrevi sobre a solidão, sobre a confusão que o desprezo alheio nos causa, e sobre como o amor, essa pequena palavra tão grande em significado, pode nos magoar e nos curar ao mesmo tempo.

Hoje, ao reler aquele desabafo de mais de duas décadas atrás, percebo o quanto cresci. A tristeza que um dia me consumiu foi, na verdade, uma professora silenciosa. Ensinou-me que o amor, mesmo em sua forma mais dolorosa, é parte da nossa essência humana. Ele nos molda, nos transforma e, por fim, nos fortalece.

Olhando para trás, vejo que não eram apenas as palavras escritas que me ajudaram a superar; era também o ato de me conectar. Cartas trocadas com amigos distantes, confidências feitas a pessoas que nunca vi, mas que pareciam entender minha alma, foram a ponte que me levou de um momento de solidão para um de esperança.

A vida continua, sempre em movimento. E o coração, ainda que ferido, sempre encontra maneiras de se reerguer. Porque, no fundo, o amor nunca nos abandona – ele apenas se transforma.

Nêrilda Lourenço
Enviado por Nêrilda Lourenço em 06/12/2024
Código do texto: T8213610
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