LITURGIA PASCAL

Senhorita Vida, amada de tantos caminhos e estonteantes percalços!

Que o espírito de Páscoa nos possa fazer refletir sobre algumas descobertas, se tais estiverem à mão da semeadura. Uma das quais não desejo abdicar de sua guarida é a auspiciosa presença da Senhora Felicidade.

Eu a persigo só pelo prazer de me saber no encalço de algo que me faz bem. Mas não a quero inteira e sim para compartilhar com o Outro Eu, que é sempre o vulnerável preterido. Eu já O conheço há tanto tempo e Ele nem o sol compartilha comigo. Ainda bem que tenho pernas para sonhar esperas e nelas deambulam algumas fantasias e sonhos.

Refeito, estimulado pelo exemplo, vou compartilhar até o sol poente em lusco-fusco sobre o lençol de águas. Eu nunca espero o meu lote na partilha. Tampouco a humildade do Lava-Pés não me cabe, todavia, ainda continua em mim o espírito regente do singelo alfabeto do contágio diário por afetos e práticas.

O Cristo Pascal é o meu exemplo e objetivo até a terrena Finitude. No próximo domingo, como vem fazendo há dois mil anos, o filho do Absoluto descerá do madeiro e suas mãos tintas de sangue – mais uma vez, sem reclamos – abençoarão a humanidade.

Depois, cansado de sofrimentos, seu corpo inerte repousará ao pé da cruz. E o Seu espírito adejará entre a cruz dos ladrões e a multidão. Oh, glória!

Talvez seja por isso que os vulneráveis de todos os tempos sonhem, nesta época do ano, com doçuras no céu da boca e busquem o voejar tão desejado para o topo da pirâmide social.

MONCKS, Joaquim. O CAOS MORDE A PALAVRA. Obra inédita em livro solo, 2024.

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