A FOLHINHA

A FOLHINHA

Pois é!!! Olhei a parede e ela estava nua.

Desde que me conheço por gente, na parede da cozinha lá estava, a infalível folhinha. Passados tantos anos pela primeiríssima vez nem sinais da distinta. As vezes não era tão distinta, podia ser mais ousada mas lá estava ela com seus dias e meses, fases da lua, cantinho para observações para evitar esquecimentos, números escuros para dias de trabalho e vermelhos para os gloriosos domingos e feriados. Quando ainda trabalhava ganhava várias, algumas verdadeiras obras de arte, como as da Basf, outras picantes como a da Pirelli e mais aquelas dos lugares que frequentava, pastelarias, bares, lojas e mais uma montanha das mais diversas procedências. Hoje, nada, na parede restou o velho furo do preguinho enferrujado que as sustentavam. Nuca pensei que ia ter saudade de uma folhinha, das anotações, das bolinhas feita a caneta nos dias importantes, do X do passar dos dias. Xô, celular, que massacra meu passado agora obsoleto.

Arnaldo Ferreira
Enviado por Arnaldo Ferreira em 01/01/2024
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