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Foto de hoje depois do meu jazz

 

Depois de uma certa idade, a vida se transforma em uma eterna perspectiva.
Alguns da minha família falam que sou uma “cavadora de passado”, mas acho que gosto de lembrar de tudo de bom que passei (com quase nenhuma pincelada das coisas ruins).
Gosto de lembrar de amigos antigos, de procura-los, de reviver momentos, lembrar de risadas altas de tempos irreverentes. Daquele tempo que eu era (e ainda sou) apaixonadíssima pelo Roberto Carlos – não perdendo um só showzinho dele, fosse onde fosse. Brigava pela rosinha vermelha, atropelei tanta gente,  (e ganhei duas!).


Uma vez coloquei um anúncio na revista “Capricho”, mais ou menos assim: “loira, 18 anos, procura amizade de rapaz interessante”. Choveram milhões de cartas. Me assustei com a quantidade. Então, eu levava todas elas para a casa da minha amiga Joana, (que ate hoje mora na mesma casa e mesmo endereço) e ali sentávamos na calcada em frente de sua casa para ler todas e rir muito! Ate passei alguns deles para ela!

Dessas cartas me sobrou um amigo que correspondi com ele anos e anos, cartas escritas a mão, profundas, seu nome era Luiz Hélio, uma caligrafia linda!  Tinha só a sua  fotografia, e quando recebeu a minha, me achou parecida com a Sally Field. Foram muitos anos de correspondência, e depois quando fiquei noiva, falei para ele que não poderia continuar e ali acabou uma amizade de muitos e muitos anos, amizade mesmo, sem romantismo. Ate hoje acho que foi um pouco de insensibilidade da minha parte.

Quando adolescente, eu era gordinha, bem acima do peso. Quando ia com minhas amigas na piscina, eu era a única que estava de maio inteiro. todas elas de biquíni. Quando fiz 17 anos, minha mãe me levou num médico endocrinologista, ele me deu um regime, e fiquei magrinha. Comprei então o meu primeiro biquíni! Não posso descrever a sensação maravilhosa que tive ao olhar meu corpo no espelho! Desde aquele momento, decidi nunca mais ser gorda na vida!  Na semana que comprei, desfilei na piscina como uma Gisele Bundchen.

Fui uma adolescente alegre, cheia de amigos, convites para festas, era muito moleca, gostava de andar de bicicleta, soltar a mão do guidão e dar aqueles gritos sem razão. Quando chovia, saia na rua olhando para o céu, bebendo aquela água; quase me afoguei uma vez com uma  tempestade  de gelo. Minha primeira ressaca foi com cuba-libre.

Nunca fui metade de nada. Sempre fui inteira em tudo. A água tem que ser gelada, o café pelando, as paixões desesperadas com uma pitada de tragedia como nos filmes mexicanos. Quando um namorado que eu muito gostava terminou comigo, jurei me matar comendo uma manga e tomando leite. Mas nunca tive coragem. Bom, na verdade não iria morrer mesmo, né? rs Enfim, assim levo minha vida. De cara. Sem me deter em pormenores superficiais, vou a essência, buscando a síntese. 

Não guardo raiva de absolutamente ninguém. As vezes discuto com meu marido, e digo: "Não falo mais com você!". Depois de um minuto, eu chamo: "Amorzinhooooo!". Ele me olha e diz: "Ah! que esperança breve eu tive de você parar de falar um pouco comigo!". rs

Fiz aniversário essa semana (e a idade não falo nem sob tortura). Sei que existem muitas pessoas que dizem: "Ah eu fiz tantos anos, me orgulho em dizer, sinto-me jovem". Respeito que escancarem a idade. Eu não. Nem pergunto: "Quantos anos você acha que eu tenho?" com medo da resposta.
Só um  dia que conversando com um menininho na piscina, (quando eu adorava apostar corrida no escorregador com ele), me aventurei a perguntar.  Ele me olhou, olhou, pensou  e disse: "Uns cem?" 

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Hoje eu vivo minha vida com qualidade. Vou na minha aula de jazz, de vez em quando dou uns pulinhos na zumba, e no Line Dancing no Parque as terças-feiras. Tento andar pelo menos 4km por dia, adoro uma piscina, olhar minhas flores e ficar extasiada vendo que a sementinha do girassol que plantei brotou!  

 

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Gosto de escrever, de me divertir com videos no Youtube, de deitar a noite no sofa para curtir um filminho com o Roque. Nunca combinamos muito: ele adora tiro e sangue. E eu, beijos e romance. Sou emotiva e choro ate em programa de piada e comedias. Nessas horas aproveito para chorar por tudo.

Para a infelicidade do Roque, adoro cantar! Amo cozinhar, para mim eh um hobby! Sempre pego receitas novas, mas em cima delas, eu as reinvento! Ou um pouquinho mais de queijo, ervas aromáticas ou um temperinho diferente.


Assim tento fazer com a vida. Entre as dorezinhas aqui e ali, eu vou colocando um temperinho na rotina. E nunca me esqueço de quando acordo, ao abrir os olhos, rezar e agradecer a Deus por mais um dia. E todos meus maravilhosos momentos vividos.

 

Aqui vai um deles - um momento Kodak (como dizem), aquele que fica na memoria.

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Mary Fioratti
Enviado por Mary Fioratti em 22/06/2023
Reeditado em 22/06/2023
Código do texto: T7819910
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