A GREVE DOS SAPATOS

A Greve dos Sapatos

(Vento Lusitano)

Eu vivenciava a pré-adolescência, um período de mudanças esperadas ao longo dessa fase, com o desenvolvimento de características físicas e aumento da irritabilidade. Era 1967, os beatlhes haviam lançado o filme “Help!”. A beatlemania espalhou-se pelo mundo inteiro, fazendo sucesso inclusive no Brasil.

As ruas de minha cidade como a maioria das pequenas cidades paranaenses na época, eram de chão de terra batida, quando chovia havia muita lama. Literalmente falando só faltava “acorrentar os sapatos”, no entanto, se corrente para tal fim não existia rsrsrs, havia quem se socorria da galocha para proteger o sapato. A galocha para os mais novos que eventualmente possam não saber do que se trata, é um sapato de borracha que se calça por cima dos sapatos ou das botas normais, para protegê-los do contato em ambientes onde há muita água ou lama, é usada principalmente em lugar frio.

Bem! É perceptível que quando chovia alguns dias seguidos no único colégio da cidade, o Colégio São Luiz, administrado pelas irmãs ou freiras como também eram chamadas, os corredores, as salas de aula, suas dependências, ficavam muito sujas de lama, embora existissem em sua entrada panos para limpar os pés, no entanto, não davam conta do barro. Motivo esse, que levou as irmãs a exigirem que todos os alunos tirassem os sapatos na porta de entrada do colégio e usassem chinelos que podiam trazer de suas casas.

Pronto! Não precisa nem dizer, imediatamente se instalou a popular greve, eis que estávamos em 1967. O clima era de revolta, qualquer motivo servia. A notícia da greve logo percorreu toda a cidade, tendo sido denominada “A GREVE DOS SAPATOS”. Na entrada do colégio os estudantes fecharam o portão principal, ninguém tinha acesso, várias faixas foram colocadas com dizeres: “Greve - Não tiramos o sapato”; “Estamos em Greve”. Em muitos muros foi escrito a palavra “GREVE”. A reivindicação dos estudantes era de não tirar os sapatos, voltar a entrar no colégio com calçado independentemente das intempéries.

A verdade é que com a mesma rapidez que a greve se instalou, a mesma terminou. Pronto! As irmãs cederam, retornou o costume antigo, permitindo aos estudantes novamente entrarem no colégio de sapato mesmo em dia de chuva. Com isso retornou a paz no bem lembrado, competente e querido Colégio São Luiz, da “revolta” restou tão somente às brincadeiras após greve. Uma delas: - Tenho um amigo que tem o sobrenome “Grevetti”. Conta-se que ele ao acordar sonolento abriu a janela e viu um escrito no muro em frente de sua casa onde dizia: “GREVE”. Então ele imediatamente disse a sua mãe: - “Mãe o vovô é louco, se candidatou a Prefeito”. A mãe respondeu: - “Não! Você está equivocado, não está escrito “Grevetti” o que está escrito no muro é “Greve”. Rsrsr.

A verdade é que eram os bons tempos que nós jovens cantávamos: ''Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones''.

Vento Lusitano
Enviado por Vento Lusitano em 26/05/2023
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