AVENIDA

AVENIDA

A avenida, o leito coberto de asfalto, as calçadas cobertas de cimento, postes galhados de fios, muros a aprisionam, passando a sensação de inexistência de vida. Mas nem tudo é morte, o canteiro central, que serve para alguns, apenas como divisor de pistas, mostra a exuberância de manacás em flores brancas e roxas, que são um bálsamo para os olhos e narinas. A brisa faz chuviscar as flores, que vão tapeteando o chão, quebrando por momentos a aridez do plano escuro, até que o movimento incessante em quatro rodas, anuncie o fim do deleite. Chega o dia, o chão logo estará morto de flores, mas um olhar para cima ainda morrerá de amores pelo escol, repleto de vida e de cores.

Arnaldo Ferreira
Enviado por Arnaldo Ferreira em 21/09/2022
Código do texto: T7611223
Classificação de conteúdo: seguro