O DESCUIDISTA
O ano era 1987, Outubro e a festa da padroeira. da cidade. E havia um parque onde eu e meus filhos gostávamos de ir nessa época .então, fui ao banco e retirei o necessário parta gastar no parque e tomei a condução para casa. Como sempre, estava lotada e havia um rapaz ao meu lado, muito bem trajado( naquela época, uma moda chamada safari era usada pelos homens), Ele estava, realmente, bem próximo a mim. Minha bolsa a tiracolo estavap endurada no meu ombro. O ônibus parou para alguém descer e foi quando percebi a bolsa aberta e o rapaz do safari não estava mais ao meu lado. Uma passageira ao me ver em aflição quando percebi que o dinheiro não estava na bolsa, me disse: " foi aquele rapaz que estava ao seu lado, ele desceu agora mesmo." Eu então fui até o motorista e pedi que ele parasse para eu descer, que era uma emergência. Quando desci, o sujeito estava atravessando a avenida( a maior da minha cidade) ,e eu atravessei também. Ao me ver atravessando ele correu pela outra pista( são 4 pistas) para alcançar o outro lado .Eu corri também. Ele alcançou a calçada e eu o segui. E continuamos correndo. De repente ele parou e começou a voltar na minha direção( confesso que senti um pouco de medo) Quando chegou bem próximo, estendeu a mão com o dinheiro e um talão de cheque( eu nem havia dado por falta dele) e disse
" Desculpe madame, estava no chão, pensei que não era de ninguém"
E me devolveu tudo. Voltou-se e seguiu a mesma direção.
Nunca entendi porque ele voltou.
Alguma pessoas me disseram que ele pensou que eu era policial e que devia estar armada.
Esse enigma ficou na minha mente pelo resto dos anos até agora, quando escrevo sobre o ocorrido.
Claro que eu acredito em redenção, socialização, arrependimento, surtos de bom caráter, ponderação, reflexão, inteligência, bom senso.
E o rapaz de safari podia bem ser um principiante que fez "pra ver se colava" e nunca imaginou que sua vitima o perseguiria.