Candeeiro.

Gostaria de entender esse tal mundo de prosa e verso, que apresentam em forma de canções, poesias e de frases bem apalavradas. Coisa linda de se ver - sem pragas, piolhos e coisas do tipo.

Gostaria de prosear com um caipira embriagado em sua cachaça, boas rimas - matutas, matreiras e arteiras na lida que não são mais lidas - apenas vividas. Oh trem bão para não se ver!

Gostaria apenas de ver a alvorada - encantar e catar ao luar com o restante desse peito sem estrada e sem tapera. Oh tranqueira do agreste - Jabiraca que perdeu o rumo nas areias de Assaré.

Gostaria de ladrar, cantar e debulhar esses tantos que são letrados na ignorância e na arrogância - empipocar, enraizar - usar a espingarda que fadiga o menino homem.

Gostaria apenas de gostar de alguém que falasse pouco e agisse menos ainda - sei que o mundo é redondo, mas seria melhor se fosse arretado - desajeitado, plano e sem dejetos que mangassem do jagunço empobrecido.

Gostaria que a gaiola fosse apenas das loucas, e não dos cegos mudos - dos que andam e se divertem com qualquer palhaçada. Que me desculpe o palhaço que perdeu seu nariz de rena, mas o Santa Claus também perdeu seu trenó - que foi multado e apreendido por estacionar em zona vermelha.

Gostaria de ouvir os sinos de natal e as criancinhas saudando o bom velhinho - aceitar o tempo que se perdeu e jamais voltou- sobreviver aos costumes do sertanejo sem sertão, que cantou sua última moda para a amada que se foi.

Cristiano Stankus
Enviado por Cristiano Stankus em 11/11/2021
Reeditado em 27/05/2022
Código do texto: T7383502
Classificação de conteúdo: seguro