A droga do século 21

Com vacinação, a Covid-19 dá sinais de estar controlada. A ciência venceu a primeira batalha. Sob controle, agora é esperar pelas mudanças que a pandemia promoveu no planeta. Como as sociedades se comportarão na retomada. É sabido que ficarão várias sequelas.

Para pelo menos um terço dos infectados, a Covid-19 deixará sequelas na saúde. Muitas outras doenças se aproveitaram e entraram em cena. Economicamente o número de pessoas empurrados para a pobreza deu um salto expressivo. No Brasil, temos mais de 12 mil crianças de até seis anos órfãs. Perderam o pai e a mãe para o vírus.

Além disso, a pandemia desviou os holofotes para o vício dos humanos pela tecnologia. Esse vício recebeu até um nome. A droga do século 21. Já existem clínicas de desintoxicação para curar viciados em tecnologia, batizadas de “AA da tecnologia”. No momento, esta é uma doença fora de controle.

A tendência é piorar. Uma notícia do jornal A Folha de São Paulo, falava em o Facebook criar 10 mil empregos na União Europeia nos próximos cinco anos. Parece uma boa notícia. Não é! A empresa de Mark Zuckerberg já gastou mais de 50 milhões de dólares na construção do chamado “Metaverso”. Um mundo completamente online.

Na mesma Folha de São Paulo, podemos ler uma entrevista dada a BBC News Mundo pelo psicólogo espanhol Marc Masip. Duas frases de Masip que trabalha educando jovens sobre o uso correto da tecnologia para evitar dependência soam forte. Na manchete da entrevista lemos: “Não há muita diferença entre o vício em drogas e em celular”. Depois diz: “O celular é a heroína do século 21”.

Masip faz uma excelente analogia entre o celular e o martelo dizendo que pessoas comparam os dois com a máxima de que podem ou não ser bem utilizados. Só que é preciso ter uma resposta para a pergunta: Quem já viu alguém viciado por um martelo? Será que alguém já sofreu de problemas mentais por causa de um martelo?

Com a forma fácil como hoje as pessoas se comunicam através das telas, Masip as chama covardes. O motivo é que cara a cara estamos perdendo a capacidade de sentir empatia. De olhar nos olhos. De abraçar... Estamos trocando isto por emojis ou curtidas. Estamos nos distanciando do mundo real.

Defendendo regulamentação pelos governos principalmente para jogos virtuais, Masip deixa um alerta aos pais. Se a tecnologia está nos deixando dependentes, viciados e doentes, está acontecendo ainda pior com nossas crianças. Elas já estão crescendo dependentes, viciadas e doentes. Novas gerações de drogados tecnológicos.