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DESISTIU DE VENDER TAPIOCAS POR NÃO PODER MAIS COMPRAR GÁS

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Para o texto: Sobre a palavra desistir… (T7342472)
De: meiotexto
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O recantista e literata baiano, que se autodenominou "meiotexto", fez uma excelente análise do significado e do sentido do termo "Desistir", considerando suas razões, seus agentes e suas consequências. 
Fundamentou-se numa situação real: 

"Pessoas desistindo de seus pequenos negócios por conta da elevação excessiva do preço do combustível".

Li-o com muita atenção.  O assunto abordado me feriu a pele e a alma.  Pior é saber que nos crematórios do Holocausto havia gás até demais!...  Daí, meu comentário com um pouco mais de combustível para a sua análise:
.     .     .     .     .

Meu vendedor de tapiocas sumiu com a mulher e seus dois filhos, que o ajudavam no fabrico e nas vendas.  A chama do gás subiu demais.


Trabalhar com pequenos negócios para sobreviver:  eis a situação marginal de boa parte da população brasileira que sequer engrossa a estatística dos desempregados.

Desistir de trabalhar - sem querer ser pessimista - tem um vasto significado que, sob minha análise, culmina com o SUICÍDIO.
Digo mais: por se tratar de uma tragédia coletiva que se vive no momento, em que o alvo é a população de miseráveis do nosso país, analisando o termo como um desabafo e sob o aspecto causal, o seu auge ultrapassa a barreira do suicídio. Ora, se existe um agente causador, o cume, na verdade, é um  GENOCÍDIO

O genocida, pra diminuir os problemas sociais do seu país, quer que você desista da vida.

No fundo, no fundo, "O agente transfere sua responsabilidade para as miseráveis vítimas".

Alguém SUCUMBIU, de fome ou de frio,
ataúde de papelão debaixo do viaduto...
Ali, a lixeira de humanos está de luto.
Todos passam lá pelo alto, pelo asfalto,
olhando pra cima, olhando pros ombros,
medo de assalto, temível assombro.
Por isso que esse alguém ninguém viu...
só o algoz, que o varreu pra esse colchão de concreto.
E o alguém nem suspeitava ser vítima desse genocida:
o algoz invisível que lhe tirou a vida ! . . .
- Olho no entorno e desço do ônibus porque algo me toca !...
Eu quis simplesmente ver o pobre ser que desistiu de ser.
Oh, Deus! 
Era o meu vendedor de tapiocas pranteado pelos seus.
Desistiu de vender, desistiu de sofrer, desistiu de viver...

TODO GENOCIDA culpa suas vítimas por suas culpas.
Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 15/09/2021
Reeditado em 17/09/2021
Código do texto: T7342578
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fernando A Freire
João Pessoa - Paraíba - Brasil
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Fernando A Freire

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