Temo lá novamente passar
Hoje pela manhã
Parei pra admirar uma flor.
Alheia e altiva a meu contemplativo olhar
parecia menina que do dia pra noite se ver mulher e, brejeira sabe que aqui e acolá, arranca suspiros apaixonados no seu passar. Essa, surgia entre uma fenda no asfalto, fazia do trecho áspero e transeunte palco para viver o esplendor de sua beleza como se eterna fosse. Como fã extasiado diante de sua musa inspiradora, saquei minha câmera e num click guardei a efemeridade daquele auspicioso encontro. Sabia que o cair da tarde com suas contingências levariam consigo o encanto do seu apoteótico desabrochar ou quem sabe, pisada desfaleceria qual personagem que tragicamente morre no tablado. Mesmo averso a superstições, me vi tomado de cega e crédula convicção: temo passar por aquele trecho e não mais encontrar minha bela e eterna flor.