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BRASIL À DERIVA

E quem foi que disse que o vírus não tem asas! Na Amazônia (onde querem aproveitar a preocupação com a pandemia e destruir as florestas), o vírus anda de barcos e canoas, segue o curso por grandes rios, lianas e igarapés... Onde não vai de barco, o vírus segue à pé... O Vírus adentra as matas (onde se aproveita da dor e se desmata, se multiplica, infecta, mata). Segue ceifando etnias inteiras, deságua no Rio Negro, ocupa o terreno do Guaporé... O vírus cruzou a linha do Equador e vai ceifando de norte a sul; do Oiapoque ao Chuí... Vai varrendo por inteiro e mais rápido que um festim... (No país da negação e do amém, a maioria enfrenta o vírus em nome de Deus, sem máscaras e com armas na mão) ...

Quem foi que disse que era exagero pensar na situação do Brasil diante de uma Itália, de uma Espanha, de uma França, de um Reino Unido ou um território americano que se fez o epicentro da pandemia? Quem, quem é que dizia que em terras brasileiras as distâncias são imensas e que o clima quente faz (ou faria), com que as gotículas emitidas pelos doentes possam (ou poderiam) evaporar-se rapidamente antes de serem inaladas por outras pessoas próximas? Quem foi que disse isso? Era o que se pregava e se pensava, ledo engano, o vírus ambientou-se, mutou-se, refez-se em sua própria natureza de sobrevivente. Essa angústia viva e profunda, muitos me disseram que talvez eu fosse exagerada, pelo menos no que diz respeito à situação do Brasil, essa angustia de antes é agora, para mim bem real e dói, dói demais... Brasil, meu país, minha gente. Como não chorar diante dessa terra arrasada? Jamais poderia imaginar de viver o que a gente lia apenas nos romances ou nos livros de história. Coisas de anos atrás, quando a medicina era impotente diante das pestilências que varriam a Europa e o mundo... Esse pesadelo é uma descrição viva e detalhada dos efeitos da peste de muitos anos atrás.
BRASIL, mais de 1.032.913(mais de um milhão) de casos notificados; Incidência / 100mil hab. 491,5; Mortalidade / 100mil hab. - 23,3; - Óbitos 48.954 (Quarenta e oito mil e novecentos e cinquenta e quatro), fora os subnotificados. Não há plano, não há rumo, e nem ninguém no comando de uma nau desgovernada. Mandos e desmandos. Terra de ninguém. Tudo nu e ninguém vê.

Negação de alto a baixo no país que publica portarias que encheriam páginas de um diário e faltariam lugar; no país das negociatas, das corrupções, das milícias, dos versículos e das mamatas; escrever em meio ao pardieiro desgovernado renderia páginas e mais páginas, mas como sonhar diante do macabro momento ... Não há projetos, nada a ser concebido, milhares em luto; sepulcros caiados...
Policias e milícias particulares, enquetes de centenas de vidas são perdidas por dia, é evidente o problema, mas bostas seguem desfraldando bandeiras em defesa do indefensável...
Fascismo contra fascismos antifascismos, e o Brasil ruma o abismo, salve-se quem puder... brasileiros proibidos de adentrar em território americano (à exceção de um caído e defenestrado ex-ministro sem educação), uma banana que não dá mais pra conter, mas seguem desfraldando a bandeira americana feitos quixotes guiados, é a grande águia, orgulham-se de serem bostas. Lutam por moinhos de vento.
Tristeza infinita, quantos mais morrerão no Brasil por causa da Covid-19? Sem moral, sem saúde, sem educação, sem enfrentamento da corrupção, dinheiro para o combate à pandemia usados para comprar o centrão. A democracia despenca, principais jornais do mundo acusados pelo populismo forçado de um cercadinho armado pelos bastidores, denúncias mundiais, uníssona voz, o gado segue adentrando em terreno irresponsável e perigoso.

Enquanto o Brasil é o segundo país com mais casos da Covid-19 no mundo, previsões exponenciais dos números e crescimento de pessoas infectadas pela doença, faltam políticas públicas adequadas e o comando para conter a disseminação do vírus que avança assustadoramente.  Tira casaco, bota casaco, o Brasil segue rolando, sem comando, cargos e negociatas, vendas em superintendências, novos (antigos) chefes anunciados, reconduzidos ao comando, e o desmando segue terra de ninguém, (para alguns tudo), para outros nada, e ninguém é por ninguém, um descuido de tudo. Aproveitem a pandemia, passem a boiada, plantem a dinamite no bolso do inimigo. O Brasil é um filme de terror com transmissão ao vivo pela televisão. A superação do mal não tem limites. Não há 10 nazistas ocupando à mesa, há milhares de muitos outros brotando das vielas, das valas e valetas, empunhando baionetas, trajando coturnos, descendo porretes, cassetetes, sonhando com fuzis e AK-47, esperando avidamente para sentar e abocanhar uma fatia do grande bolo irracional. PROMESSAS desfeitas, sigilos do inimigo quebrados quando à contingência se alfineta, (aos amigos às benesses), a rachadinha segue ao estilo (sigilo de família). A boiada vai passar, batem continência para bostapo, yanques brasileiros seguem em efeito manada. A bíblia segue ditando o curso da história. É medieval e doloroso o momento.  Brasil à deriva. Perigoso momento.
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Questões de um tempo... Questões deste tempo...
a condição individual e a contradição social pesam, fazem o poeta responsável pelo mundo: A Flor e a Náusea

O momento é tão insano que só a poesia nos salva... (por enquanto)
[...]

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias, espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Era um tempo partido, tempo de homens partidos.

Assim como naqueles idos tempos, em que os poemas se consistiam em cópias remetidas aos amigos, é tempo de nos repartirmo-nos clandestinamente (em milhares de poemas vozes, lutas e braços) antes de serem (sermos) reunidos e publicados. São versos eminentemente políticos, que constituem uma leitura crítica do poeta acerca da ditadura do Estado Novo e da conjuntura internacional, já que o mundo vivia os desdobramentos da Segunda Grande Guerra. E o que vivemos agora? Não é tempo de calar... Envia-me uma receita de sobremesa... Sente à mesa, é bem-vindo se quiser para falarmos de democracia... Não cala, falemos, antes que fiquemos sem ser flor, s efetivamente.

Não dá pra calar... Embora o silêncio é constrangedor, é um ruidoso e perigoso silêncio...
Mesmo assim
F-A-L-E-M-O-S
Enquanto nossa língua não está paralitica por uma ditadura que está com as barbas postas...
Serpente Angel
Enviado por Serpente Angel em 20/06/2020
Reeditado em 20/06/2020
Código do texto: T6983046
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Sobre a autora
Serpente Angel
Vernier - Geneva - Suíça
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