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Álcool gel desaparece das distribuidoras e reposição deve demorar ...


 
ÁLCOOL  EM GEL
 
    Álcool em gel 70% foi um capítulo dramático que iniciou a batalha pelo covid-19 o que levou à sua escassez e ao oportunismo de muitos.
    Segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, o produto antisséptico era, ou é eficiente para prevenir e combater a pandemia do coronavirus o que gerou uma corrida assustadora à procura do produto que foi desaparecendo das prateleiras e de tal fato se aproveitou muitos para aumentar de forma abusiva o seu preço e até mesmo falsificar o produto.
    Eu mesma não encontrei álcool em gel quando a pandemia começou e apelei para a agua e sabão mesmo. Há anos não tenho álcool em casa. Tenho mágoa, pavor, complexo e tudo o mais com relação ao álcool, pois meu esposo é alcoólatra e já o flagrei bebendo meu vidro de álcool algum tempo atrás. Não duvido que bebesse também álcool em gel.  Vivi momentos terríveis por culpa desse produto que destruiu a vida de meu esposo e muitos de meus sonhos.
    Bem, com muita dificuldade encontrei o álcool, mas o escondi em local bem seguro. Quando preciso usar, o faço de forma praticamente clandestina: pego o álcool no seu esconderijo e sorrateiramente passo com ele para o quarto e coloco na janela. Depois dou a volta pela varanda e pego ele na janela e levo para a cozinha para fazer a higienização das coisas quando faço compras.  O trajeto de volta para o esconderijo é a mesma coisa. Ou seja, é uma estratégia de guerra. Guerra contra o alcoolismo e contra o Covid-19. Quando termino tudo estou um caco.
    Mas tem coisas perfeitas para coisas imperfeitas: felizmente, ou infelizmente, não sei, meu esposo possui atrofia do cérebro em razão do alcoolismo e desenvolveu neuropatia que afetou, além da coordenação de braços, pernas, fala e olhos, também o olfato. Descobri isso outro dia e por isso posso manusear o álcool sem problemas em casa sem que ele sinta o cheiro. Ainda tem o fato de ele não andar sozinho e, com isso, não tem como ele encontrar o local onde escondi o álcool. Está sóbrio há quatro anos, mas mesmo assim tomo minhas precauções. Como diz velhos provérbios: “gato escaldado tem medo de água fria” o que em teses cientificas significa que nosso cérebro, especificamente o córtex, guarda as experiências ruins nas chamadas janelas traumáticas da memória, que, em situações de medo e tensão, são acionadas pelo auto fluxo, um fenômeno que lê milhares de vezes por dia a nossa memória. Bem, as janelas traumáticas são o nosso cárcere psíquico segundo o psiquiatra e escritor Augusto Cury.  Mas é possível aprender a administrá-las e eu, confesso, não aprendi, embora venha tentando com algumas regrinhas desse mesmo psiquiatra.
    Como podem notar, o a álcool tem seu lado negativo e positivo. No momento atual é muito mais positivo, claro, afinal é uma arma poderosa de guerra e todos precisamos estar munidos dela enquanto durar a pandemia.
     Dessa forma o que vemos em todos os estabelecimentos é uma barricada na porta e um vidro de álcool em gel disponível para quem precisar se aproximar para comprar víveres.  Ao chegar e ao sair, é preciso passar álcool nas mãos, o que me deixa em dúvidas se acaso elas não se tornariam dependentes alcoólicas. Bem, de qualquer forma assim vamos vivendo à base de álcool em gel.

 



 
 
Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 24/05/2020
Código do texto: T6957164
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
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2 e-livros (150 leituras)
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