CRÔNICA – É triste, mas verdade – 30.04.2020 (PRL)

CRÔNICA – É triste, mas verdade – 30.04.2020 (PRL)
 
 
 
Nem se torna necessário dizer o que se passa na cabeça do Policial Federal de carreira Alexandre Ramagem, nomeado pelo Presidente Bolsonaro para assumir o lugar de diretor da corporação, em substituição ao que fora dispensado, Doutor Valeixo, que teria sido uma das causas do pedido de demissão do então Ministro Sergio Moro, da Justiça e da Segurança Pública.
 
Como se tem notícia, uma decisão liminar monocrática do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em data de ontem, tornou sem efeito a nomeação do novo diretor do órgão, em face de suposições de que iria favorecer ao mais alto mandatário da república, na medida em que dele era amigo e poderia fornecer dados sigilosos de apurações e de processos que tramitam na organização.
 
Até onde se sabe, a justiça não decide em cima de hipóteses, todavia em dados reais, isso quando provocada por alguma parte que se julgue prejudicada ou com o seu direito ameaçado. No caso, julgou a pedido do PDT – Partido Democrático Trabalhista, este que fora fundado por Leonel de Moura Brizola, Dilma Rousseff e outros, isso nos primórdios da abertura política da ditadura militar de 1964. Pergunta-se qual a legitimidade que esse partido teria para bloquear a posse desse cidadão no comando da nossa Polícia Federal? Onde seu interesse? Ao que se especula, o diretor anterior fora desligado em face de não ter conseguido (?) desvendar o crime de morte da vereadora Marielle, PSOL-RJ, bem assim aquela facada investida contra o Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, que quase lhe roubara a vida.
 
O PDT é dirigido pelo senhor Carlos Lupi, de longa data, tendo como vice-presidente o doutor Ciro Gomes, ambos políticos traquejados, sendo que o cearense já foi ministro na era Lula, bem assim candidato várias vezes à Presidência da República, sempre com um bom desempenho nas urnas, todavia longe de galgar esse tão almejado posto.
 
Não existe coisa tão tristonha e decepcionante como um funcionário, público ou não, sonhar em chegar ao mais alto topo da organização e, de momento para outro, ser considerado inapto e ter seu nome vetado para assumir o cargo, isso com lastro apenas em conjecturas.  Pelo menos foi o que a mídia noticiou.
 
Assim falo por conhecer do problema. Na década de oitenta, nomeado duas vezes para a gerência da maior agência duma instituição oficial, não cheguei a ser empossado, eis que nessas oportunidades fui surpreendido por movimentos políticos em sentido contrário, de maneira que as nomeações foram tornadas sem efeito. Claro que, no meu caso, não repercutiu, porquanto nunca fui político. Até os dias atuais nunca soube dos motivos, salvo especulações de que eu era uma pessoa dura, exigente, que gostava de cumprir minhas missões com o necessário rigor.
 
Desse dia em diante considerei minha carreira encerrada. Eu já havia chegado ao topo em matéria de promoções, tinha sido superintendente da instituição, mas minha vontade mesmo era dirigir essa grande filial. Pelo simples motivo de, quando criança, ter passado muita necessidade, tendo que “pescar siri “, “carregar frete na feira”, por exemplo, para ajudar a meu pai na manutenção da família. Seria uma assombrosa vitória àquele garoto de antes chegar ao comando dessa filial, que detinha o mais alto e gabaritado prédio comercial da região em que se situava.
 
No presente episódio, a medida, além de tolher a liberdade constitucional do presidente em nomear seus auxiliares, pode significar que ocorreu muito mais por questões políticas, enfraquecendo, sobremaneira, o poder do Bolsonaro, que vai caminhando sozinho na difícil empreitada de tentar moralizar o nosso país.
 
No final da história, o próprio presidente cancelou a nomeação, fazendo com que o Ramagem volte a dirigir os destinos da ABIN – Agência Brasileira de Inteligência. Ora, se não pode ser diretor da Polícia Federal como que se admite comandar tão alta e sigilosa organização?!
 
Um abraço.
 
SilvaGusmão
 
ansilgus
Enviado por ansilgus em 30/04/2020
Código do texto: T6932841
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