NOTÍCIA

Eles chegam. Estão com os olhos brilhando na alegria do momento. Querem contar uma novidade mas a ideia da expectativa é mais forte. Tentam disfarçar a verdade.

Os que ali se apresentam estão com os corações afoitos. Prenunciam uma linda notícia, repleta de prazer, de alegria e felicidade. Querem saber a verdade mas disfarçam a ansiedade com palavras corriqueiras:

– Como vocês estão?

– Como foi a viagem?

– Tomaram os devidos cuidados?

Palavras com um grito de “falem por favor” ou “queremos saber” e ainda “contem de uma vez”. Mas, na discrição do momento apenas oferecem um café, um lanche, uma vitamina. Tudo cronometrado com os olhos mendigando a notícia. Implorando que acabe com aquele martírio.

Decidem falar. Mas, aos poucos:

– Fala você.

– Não. Fala você.

– Tá bom. Mas não íamos fazer uma surpresa?

– Íamos. Mas, não conseguimos. Então fala.

– Olha, vou ao banheiro primeiro.

Os olhos dos da casa estão pedindo, encarecidamente, que termine com aquele doce martírio. Seria rosa ou azul? Teria lacinhos ou bonés. Gostaria de bola ou bonecas? Calçaria sapatilhas rosas ou lindas chuteiras amarelas?

A expectativa permanece. Resolvem tomar uma água. Doce como a vida. Límpida como os sonhos.

Retornam.

– Mas eu disse que queria fazer uma surpresa.

– Eu disse que, se pudesse ver no momento do exame, eu saberia.

– Então já sei – disse a avó.

– Sabe nada – retrucou o avô.

– Só na ansiedade – completa o tio.

A dúvida e a expectativa permanecem. São doces momentos vividos na mais perfeita esperança do renascimento da vida.

Os olhos vagueiam de um para o outro. O desejo do mistério é vencido, sucumbe diante das trocas de olhares e a verdade vem à tona: É UM MENINO.

Os olhos sentem o impacto da emoção. Querem derramar gotas de alegria e emoção, mas se contêm. É preciso domínio de sentimentos.

Afloram sorrisos abertos de prazer pela notícia. Não podem se abraçar. Situação do momento. Mas se abraçam mentalmente desejando que seja a coroação da felicidade de todos.

A expectativa de passinhos pela casa, de chorinho pelos corredores e pequenas peraltices invadem o imaginário de todos. A notícia é doce. Traz a esperança da perpetuação da espécie e o agradecimento ao Deus da vida.

Sim. Estão todos saltitantes de alegria. Como se fossem crianças que acabaram de receber um carinho dos pais. Na verdade são crianças que acabaram de receber o maior carinho possível de ser recebido pelo ser humano: o carinho do Pai Celeste.

Querem gritar aos quatro ventos a alegria da notícia. Querem pedir a Deus que permita que venha com saúde e tenha muitas bênçãos de Deus.

E assim o fazem na alegria, transbordante, do momento.

NEUZA DRUMOND
Enviado por NEUZA DRUMOND em 01/04/2020
Reeditado em 04/04/2020
Código do texto: T6903226
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