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Você é sempre linda!

A loja, que era enorme, e ocupava vários quarteirões,  agora, para fazer frente à concorrência,  resolveu se dividir, e oferecer vestidos de festas, para variados gostos e valores. Então,  já não sabia ao certo qual foi a loja que entrei e escolhi o vestido perfeito para  o casamento do filho. Agora, com a proximidade do casório da sobrinha,  entrei no estabelecimento  esperando  ter a mesma sorte. Não estava muito animada.  Aquele quantidade de espelhos no provador, mostrando muito mais do que eu queria ver e a presença da vendedora junto ao retirar a roupa, não me deixou confortável. Mesmo sem perguntar sabia que essa era uma norma da casa, visto que os vestidos eram finos e alguns difíceis de vestir e elas ajudavam para evitar que peças fossem danificadas.  Não encontrei "aquele" vestido que me fizesse sentir-me especial! A necessidade de ser breve por causa do compromisso com parentes também me deixou desestimulada de continuar a procura. Resolvi então deixar a busca  para outra ocasião.  Porém,  ao sair, passando pelas araras com os mais variados modelos e tecidos, decidi dar mais uma olhada. Em pé, de frente para os vestidos,  inspecionava aqueles que me chamavam mais atenção.  Atrás de mim, sentadas em um banco,  estavam duas senhoras e a filha de uma delas que olhava o celular e devia ter em torno de 8 ou 9 anos. Ouvi a mãe da garota dizer: "Aquele vestido que eu vesti naquela ocasião ficou perfeito!" Neste momento lembrei-me do último que comprei e que me fez sentir exatamente como ela dizia. E ela continuou: "Foi a única vez em que me senti bonita." Achei a frase tão forte! Eu estava de costas e não via o rosto da mulher,  mas parecia, pela vibração da voz,  que era uma mulher já madura, mas que tinha baixa autoestima por se julgar bonita em apenas uma ocasião de sua vida em todos esses anos. Neste momento,  a filha, que apesar de concentrada no celular,  exclamou: "Você é sempre bonita!" com toda sinceridade de uma criança que ama a mãe e realmente a acha bonita. Não me contive.  Virei-me , bati palmas para a criança e disse: "Heeee, muito bem!" A mãe da criança me olhou surpresa, sem entender minha manifestação, pois como continuava falando com a outra mulher não prestou atenção à fala da filha.  Então perguntei: "Você ouviu o que ela disse?", apontando para a filha. A mãe respondeu: "Não,  o que foi?", e eu respondi: "Você  é sempre linda!" A mãe abraçou a filha, beijou e disse em tom carinhoso: "Ô filha, obrigada!" E a menina tinha razão.  A mãe,  já na idade madura, tinha uma elegância e beleza de mulheres altas, magras e educadas. Os olhos passava uma serenidade de pessoas bondosas. Os cabelos eram escuros, na altura dos ombros. Talvez ela não se sentisse bonita porque ninguém lhe dizia isso. Será que tem marido? Será que ele não lhe diz isso? Se não o faz deve ser um tolo ou quem sabe não diz porque não quer valorizar muito...Mas pudera meu Deus pudera, nenhuma mulher ou mesmo homem precisasse que outro lhe dissesse que é bonita ou bonito. E soubessem mostrar de dentro de si essa centelha divina que nos faz realmente belos independente de nossa condição física. E que o amor uns pelos outros tornassem belos nossos olhos para assim ver a beleza no outro. Queria  ficar mais tempo ali e conhecê- las,  mas meu marido me chamou da porta, com pressa para ir embora.  
Sam
Enviado por Sam em 09/02/2020
Reeditado em 22/02/2020
Código do texto: T6861650
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Sam
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil
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