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As ruas estavam molhadas, o ar úmido tinha a fragrância e o frescor das manhãs de dezembro. Abrí a janela e contemplei longamente a serra por cima dos telhados. Os pássaros pareciam celebrar a trégua da chuva fina e constante.
A chaleira apitou e então preparei meu café. Voltei para a janela e sorví a bebida quente bem devagar.
Os pensamentos eram como a fumaça que dançava sobre a xícara, escapando pelo vão-luz...
- Quanto tempo eu viví o silêncio desse apartamento?
Pensei. Passaram-se seis meses e eu sozinha nesta cidade cheia de graça e ao mesmo tempo declaradamente meu degredo.
Descansei a xícara no parapeito. Meus olhos vaguearem acompanhando as nuvens no céu. Nesse instante um bem-te-vi pousou sobre a xícara e cantou quase em meus ouvidos.
Senti como uma lufada do divino que soprava a esperança em meu coração. Sorrí para a pequena ave que esvoaçou instantaneamente. Seguí o pássaro até pousar num dos telhados mas num piscar de olhos o perdí.
Então a alegria brotou no meu peito juntamente com a certeza de que nunca estivera sozinha. Fui cuidada e abençoada. Fechei os olhos e agradecí ao Deus do meu coração e da minha compreensão. Cerrei a janela e me pus a caminho do trabalho que me levara até alí.
 
Cláudia Machado
Enviado por Cláudia Machado em 12/12/2019
Reeditado em 12/12/2019
Código do texto: T6816857
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Sobre a autora
Cláudia Machado
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Cláudia Machado