Divagações sobre um poema.

O trajeto com passos medidos pelas ruas da cidade se perde em meio às imensas paredes verticais que resvalam o céu. O pensamento esvai e o “inconsciente” se vê tragado pela lembrança de uma imagem, aquele rosto com duas pérolas verdes.

Já não é de hoje que mentes apaixonadas se veem indagando sobre “o que é efetivamente amar”! A cada passo pela calçada, a cada esquina que se vence, a sensação gostosa de sorrir ao pensar em alguém tenta responder a tal questão. Mas a improvável resposta enche o corpo de calafrios e conduz a uma excitação sem fim. Da véspera, aquela longa conversa retorna aos ouvidos, de tão leves, as palavras de carinho flutuam como o algodão da paineira e então, as ruas da cidade ganham contornos de versos em poemas. Deixa os passos leves como o ar. Mesmo estando distante de pérolas tão verdes, e ainda que cada passo tenha a dimensão de milímetros, a inquietação sossega no sentimento que naturalmente se expressa. A pura expressão da paixão, amor e desejo.

Os passos seguem pelas entranhas da cidade, buscam o ombro onde se recostar, encontrará amparo ao desejo de amor? A certeza do sim se apresenta como resposta. Com os passos, o pensamento flutua e permite aos olhos que se buscam tocarem-se silenciosamente em pura emoção. E então, o desejo de ver o outro feliz incondicionalmente é amparado pelo amor que flui naturalmente. Como as flores do dente de leão, pelos canteiros da cidade, que festeja a primavera e exala amor natural e incondicional.

Os corpos e mentes que se buscam são movidos pelo desejo de ver o outro feliz, são livres como o vento e a chuva, mas se completam em um ciclo mágico que foge a explicações racionais. Há uma cumplicidade compartilhada nas coisas do mundo, os elementos são livres, porém dependentes da existência do outro. É verdade, é a ordem natural das coisas, não é possível burlar... e se o vento é livre, e se as águas da chuva são livres, são livres porque se completam. E se são livres e independentes, mas se completam, ainda que se distanciam, voltam a se encontrar.

O amor se concretiza por inteiro, pleno e vivo,quando a cada passo dado, se vê, para além do alto dos arranha-céus pela cidade, aquela que te faz procurá-la. Vê-se a quem se ama em cada pedaço do caminho e, sobre isso, não há respostas racionais.

Vejo Você!