POR QUE NÃO ME DEIXA MORRER?

Por que não me deixa morrer? An!? Por que não me deixa tirar toda a exaustão desse tecido temporário? Eu estou farto desse mundo repleto de semideuses... Estou farto da ternura tangente... Ora, pois... Estou farto de você! Eu preciso de um espaço abaixo dessa matriz. Ele encontrou o álibi essencial para sua escolha. Eu agora busco o meu.

Ora, pois... Mas que tipo de justificativa você espera que eu faça sobre minha escolha? Não há nada plausível, nenhuma prova contundente! Cala a sua boca! Eu não quero estar mais de pé, quero um sono profundo!

Desculpa, é que me deixei levar pelo momento... Mas que momento, viu... Que momento...

Minha cara, minha doce e querida esposa, eu sempre fui assim ou nunca fui o mesmo dos seus desejos. Mas você me escolheu, e o porquê nunca te questionei. Não questione minhas dúvidas aleatórias, nem os meus pedidos vãos. Questione sobre o que farei hoje ou amanhã, lhe responderei com todo o meu prazer. Mas não questione sobre o porquê de minha ida, da minha retirada fulminante. Dê asas para que tudo possa se concretizar e assim eu serei feliz e você também.

É mentira? Sim, é mentira. Eu não escolhi, nem escolho, nem escolherei a felicidade, mas de hoje em diante farei uso ainda mais desse desejo... Estarei mortinho! Mortinho da Silva! E quem me impedirá? Não será você.

(Conversa de Dr Galhardo de Nóbrega com sua esposa Mariza de Nóbrega - O Escritor Solitário)