vícios e virtudes

Há poucos meses decidi parar de fumar (novamente). Não é que eu fumasse uma quantidade absurda de cigarros, mas estudos sobre o tema mostram que 30 minutos após tragar apenas um cigarro, há um aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, liberação de radicais livres e uma disfunção da parede das artérias.

De acordo com um informativo do Hospital São Camilo, dentre as doenças que podem ser evitadas estão o câncer de pulmão, boca, laringe, faringe, estômago, pâncreas, rim, colo de útero e bexiga, além das doenças cardiovasculares, também muito frequentes em fumantes.

Além disso, fumar não compactua com o estilo de vida que adotei desde o momento em que escolhi me deslocar pelas ruas da cidade de bicicleta. Seja para ir ao trabalho, ao supermercado ou a uma consulta médica, a bicicleta promove uma série de mudanças em nosso organismo (http://blog.bikeregistrada.com.br/vem-pedalar-10-beneficio…/) , mas exige certos cuidados com a saúde no dia a dia.

O assunto desse relato, porém, não será sobre o tabagismo.Usei-o intencionalmente para falar sobre outro vício, muito mais silencioso e presente em nossa sociedade: a compulsão pelo acesso irrestrito às redes sociais WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram em celulares e tablets.

Basta olhar para o lado e lá encontrará alguém, com o pescoço levemente arquejado, teclando desesperadamente, ansioso pela resposta que demora a chegar. No almoço ou na reunião da família. Nos ônibus, trens ou metrôs. Em bancos, supermercados, drogarias, restaurantes. Socorro, estão em todos os lugares!

Frequentemente me questiono qual atitude tomar para evitar o uso do celular e sempre me respondo: "o aparelho é uma ferramenta, use-o com sabedoria". Sim, mas e a ansiedade de "perder" alguma coisa, como controlar?

Como lidar com o impulso de verificar as mensagens de cinco em cinco minutos (muito menos, vamos falar a verdade)? E, pior do que verificar as mensagens, querer responder todas no mesmo instante. Imagine se optarmos em responder a trinta amigos de nossos contatos, quanto tempo seria necessário para tamanho empreendimento?

Mas algumas coisas podem esperar, precisamos aprender essa lição. Ou ficaremos lamentando eternamente por algo que deixamos de realizar: uma conversa sincera e enriquecedora com um velho amigo, a resolução de um problema que parecia não ter fim, a mudança de postura perante os desafios que a vida nos impõe.

Recorro à Sêneca e encontro conforto em suas palavras: "Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos; pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte".

Sêneca prossegue e aconselha Lucílio: "procura fazer aquilo que me escreve: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso".

Só o tempo é nosso. Só o presente é nosso. Pertencer ao presente, o grande desafio.

Por fim, diz um velho provérbio que o gladiador se decide na arena: algum vulto do adversário, alguns movimentos das mãos, ou a própria inclinação do corpo, em que ele mantém o olhar fixo. É isso: ou aprendemos a lidar com nossos vícios ou sucumbiremos a eles. Simples e complexo assim.

Otávio di Sábatto
Enviado por Otávio di Sábatto em 16/09/2019
Reeditado em 12/12/2022
Código do texto: T6745989
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