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Disco de Vinil

 Amo ouvir boa música, o que depende, pois, o que pode ser considerada boa para mim, pode não ser para o outro; continuo fã da velha vitrola, do disco de vinil, da agulha deslizando no compasso de cada nota, mas, não os tenho em tão bom estado, uns, como se dizia antes; de tanto ouvir, a música, o disco furou, creio que em alguns casos foi isso mesmo, em outros, falta de cuidado.
 Então, colocar a música preferida para tocar, sabendo que em algum momento, ela pararia no mesmo lugar, causava certo embaraço, então, valia algumas tentativas pra amenizar aquele incômodo, hoje só de lembrar, me arrepio com aqueles absurdos, passar uma agulha de leve em cima da faixa com problema, tudo pra tentar ouvir a música por inteiro.
 Quando, bem menina, vi pela primeira vez um toca-discos, fiquei encantada com aquela magia, e o som era muito melhor que hoje, anos oitenta, principalmente; tudo era melhor antes, creio que era o ar menos poluído em todos os sentidos, minha cidade era um pequeno ovo, ônibus vazios, amizades poucas e verdadeiras, ainda que no meu caso, continuem poucas e a verdade mais rara ainda, as pessoas criaram capas, escondem-se atrás de vestimentas e diplomas, como os antigos discos de vinil; eles na maioria traziam maravilhas, em encartes que posteriormente eram colados nas paredes; A-ha cantavam muito, Michael Jackson nos primeiros discos, com sua cor, suas músicas e danças, achava ele lindo, quem dessa época não treinou, nem que fosse escondido, uns passinhos de break? Eu aprendi, e me exibia... Ah! Tempo bom.
 Talvez daqui vinte, trinta anos, se ainda essa matéria estiver pisando nessa Terra, sinta saudade do tempo de agora, mas, quase aos cinquenta anos, os anos oitenta, permanecem entre muitas lembranças boas.
 Ontem, domingo, Dia dos Pais; em que falei com o meu, apenas por telefone, mas, com o amor de sempre ; e depois das despedidas, e da casa voltar ao seu silêncio normal; o vizinho ouvia um som alto, o repertório normalmente é bom; ainda que, muitas vezes, haja o desejo de abaixar o som, e o controle não esteja ao alcance; de repente a música não saiu do lugar, " é um disco de vinil, muito legal" pensei; difícil quem tem aparelhos antigos, me vi saindo do meu lugar, indo até o disco, pegando a agulha e mudando de faixa; mas, não foi o que aconteceu, o som estava alto, e ficou naquela faixa riscada, por mais de uma hora, entre um copo lavado, outro guardado, o disco riscado continuava, passou um carro com escapamento furado, estourando muito, pensei, "agora, ele deve ouvir, se está dormindo, vai acordar"; mas, que nada, foi longe o ir e vir da agulha; até que em certo momento se fez silêncio, e no decorrer da tarde e da noite, a música não foi mais ouvida.
 Será que a agulha gastou? Espero que não, ele tem algumas preciosidades que já ouvi,  e que espero, uma hora ou outra, ouvir novamente...
 
Meri Viero
Enviado por Meri Viero em 12/08/2019
Reeditado em 12/08/2019
Código do texto: T6718344
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Meri Viero
Guarapuava - Paraná - Brasil
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