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Desço do carro apressada, caminho para o elevador, aperto  a seta para cima e aguardo. A porta se abre,  confiro se o elevador está no andar, entro rapidamente e aperto o 2. Desço, pego a chave e tento colocá-la na fechadura, sem êxito. Troco a chave, como quem tivesse se confundido. Tento novamente. Aperto a campainha e um silêncio profundo, apesar de ouvir ao fundo um barulho de uma tleisão ligda com a voz da Cristina Rocha. Forço a porta, viro a maçaneta, insisto noutra chave, faço caras e bocas, e nada. Respiro angustiada, exausta pelas tentativas e já pensando que novamente o tambor estaria apresentando problemas e que teria transtornos, encosto na parede contrária e olho pra cima da porta, onde ficam as placas de numeração e vejo 302.

Desde que mudei pra este prédio (15 dias) foi a primeira vez. Espero que seja a última... Dizia meu inconsciente revoltado, transtornado e sem graça. Liguei pro síndico, como quem pede socorro:

- Alô, Cunha? Moradora do 202. Desculpe a ligação em horário inconveniente, mas acabei de tentar arrombar a porta do 302. Tem morador? Queria pedir desculpas, justificar a gafe, sei lá. Sinto muito. Não me atentei para a parada no elevador e eu de cara com a minha vergonha.

- (entre risos) Não tem morador, não se preocupe. Você não é a primeira. Da última vez chamaram a polícia (Já comcei a rezar o terço, afinal poderia ser eu a mais nov moradora sendo "fixada" por tentativa de arrombamento). Pensaram que era tentativa de arrombamento. Está no lucro. Não se preocupe, as imagens da câmera de segurança são exclusividade da administradora de condomínios, avisá-los-ei. Fique em paz. Ah! Esquec de dizer. No aplicativo da empresa de segurança, as imagens são disponibilizadas m tempo real.

Desliguei a ligação, sentei no chão e num ato de total desolação viajei pela vida... Quantas vezes estive aonde não me cabia; quantas vezes fiz força pra entrar; quantas vezes quis caber num rótulo; até que cheguei à conclusão que tudo que tivesse que fazer força, não era meu, nem me pertencia. Diferente de esforço, claro. Mas a chave, ai a chave...

Levantei de cabeça erguida (a cara deixei no assoalho), (princesa não deixa a coroa cair, só perde um pouquinho da dignidade) peguei as chaves e caí na risada, literalmente. Afinal, ao menos naquele dia, o mico era exclusivamente meu (visto apenas pelos 32 proprietários de imóveis que possuem o aplicativo de segurança do prédio)e o troféu também, de distraída, ou "diz traída" pelo excesso de segurança e falta de atenção. Se estiver rindo, a próxima vítima é você! Esquece e passa a página.
_ E você nem prestou atenção no tapete de coruja à porta? Claro que não! Se tivesse visto, nao ia render os risos do síndico e a vergonha alheia de graça. Comédia da vida real, meu povo. Comédia surrel.
Mônica Cordeiro
Enviado por Mônica Cordeiro em 09/07/2019
Reeditado em 10/07/2019
Código do texto: T6692338
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Mônica Cordeiro
Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais - Brasil
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