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Vidro

Vidro

No dia anterior, eu assistia "Vidro", terceiro filme de uma trilogia que começou com " Corpo Fechado" e depois "Fragmentado", o que me deixou bastante impressionado. Saí do cinema com a incubência de melhor entender a mensagem da história.
No dia seguinte, fomos a praia e iniciei o meu dia de super-herói: O homem forte, capaz de carregar cadeiras, cooler e guarda-sol em um só braço a utilizar o outro para oferecer a sua amada que desconfiava daquela brutalidade repentina. Finquei o sombreiro na areia da praia a apreciar o vento a empurrar as ondas do mar.
Dona Maria, por várias vezes se refrescava na espumante água salgada enquanto que a sombra do chapéu de sol impedia que a abandonasse. O homem poderoso sequer quis fazer companhia a sua Maria nas cortadas das ondas.
Um descuido!
De repente o guada-sol voou sobre a minha cabeça a aterrizar sobre um casal que estava a alguns metros de distância e fora entendido que acontecera um simples acidente.
Tentei colocá-lo de volta aos olhos de uma galera e minha força sobrenatural fez com que o cabo quebrasse em minhas mãos, o que fez que Maria se envergonhasse do "Troglodita" que a acompanhava naquele belo lazer.
Saímos do local como se fôssemos voltar para casa e retornamos à praia, em outro lugar, a esquecer o pequeno incidente. Aluguei um novo protetor do sol escaldante e fiquei a pensar nos três personagens da ficção, o cérebro tenebroso, a fera e o justiceiro.
Maria se aproximou a interromper o meu pensamento e quando me apoiei no braço da cadeira para me levantar e oferecer-lhe uma água de coco, acidentalmente, quebrei-o em pedaços.
Talvez eu possuisse mesmo uma força extraordinária e fui mais uma vez comparado a um "Homem da Caverna".
Hoje pela manhã, eu quis me redimir dos pecados e estava a preparar um saboroso café da manhã para Dona Maria quando percebi que havia um prato de vidro com fubá em cima do fogão, utilizado na noite anterior na preparação do maravilhoso jantar, ao lado do fogo que esquentava a água. Uma parte do meu cognitivo percebeu mas não houve tempo:
- Crash.
O sono de Maria foi despertado e só me restou desta vez o tão esperado pedido de desculpas.

" Não somos inquebráveis, somos de vidros e talvez fragmentados".
Ed Ramos
Enviado por Ed Ramos em 20/01/2019
Reeditado em 20/01/2019
Código do texto: T6555181
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ed Ramos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
550 textos (6886 leituras)
23 áudios (1628 audições)
6 e-livros (1079 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/09/20 22:10)
Ed Ramos