A "IA" NÃO SERÁ UM MENINO BONITO

Henry Kissinger que foi Secretário de Estado americano entre 1973 e 1977, escreveu um longo artigo falando sobre a Inteligência Artificial. O ex-secretário diz que o assunto nunca foi uma de suas prioridades. Um dia, ouviu o palestrante falando sobre o “AlphaGo”. Então decidiu ficar para saber mais daquilo.

O “AlphaGo” é um programa de computador que joga o jogo de tabuleiro Go. Em maio de 2017 o programa derrotou por 2x0 numa melhor de três Ke Jie, o melhor jogador de Go do mundo. Kissinger termina seu artigo com uma pergunta: Os humanos estão preparados para a Inteligência Artificial? O documentário sobre o jogo pode ser assistido na Netflix.

Na revanche que aconteceu em 1997, o campeão de xadrez Garry Kasparov também perdeu para a máquina “Deep Blue”. Apenas um ano antes Kasparov tinha vencido a primeira versão da máquina por 4x2 numa melhor de seis. O “Deep Blue” foi alimentado por milhares de partidas jogadas pelos maiores enxadristas mundiais.

A pergunta de Henry Kissinger tem bons motivos. O programa de xadrez “AlphaZero” não foi alimentado com partidas, só com as regras do jogo. Então, em apenas quatro horas ele aprendeu jogar jogando contra si mesmo, superando o que o homem demorou um século para compreender.

Se a “IA” abalou os egos de Ke Jie e Kasparov, logo chegará a vez da classe dos artistas. A “IA” já está pintando quadros, escrevendo livros e compondo músicas. Agora em outubro um quadro produzido por uma “IA” batizada de “Portrait of Edmond de Belamy” será leiloado. O valor ficará entre sete e dez mil dólares.

É possível que uma “IA” jogadora e artista apesar de espantar não chegue a preocupar a raça humana. Que as mudanças estão chegando é um fato. Primeiro era só a ficção, agora a ciência endossa a ficção. O mundo como conhecemos deixará de existir a partir de 2050. Daqui apenas três décadas.

A “IA” deixará de ser um menino bonito quando for usada como máquinas de guerra. Coisas do tipo Skynet de o “Exterminador Do Futuro”, com toda a certeza serão trazidas da ficção para a realidade. Nosso mundo não terá como fugir de um outro Vietnã com milhares de “IA”. E, talvez, uma “IA” cantando “Aquarius” do musical “Hair”.

A “IA” ficará um menino horrendo quando for alimentado pelos livros de crenças “sagrados” da raça humana. Nossas carnificinas do passado promovidas pelas crenças em deuses e criadores provavelmente também se repetirão, desta vez, pelas máquinas.

Pena não poder estar aqui neste mundo novo comandado pelas máquinas. Espero estar num lugar com janelinha. Com a possibilidade de poder dar uma espiadinha.