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Seu vigia

Caminhava quando a vi ali, sentada mais uma vez, na pedra que ficava na parte mais alta do lugar, onde era permitido ver o vale e o bosque que se interpunham à vista altaneira da cidade.
Eu costumava visitar o parque nas manhãs de sábado e, por muitas vezes a flagrei ali, parecendo escrever alguma coisa, absorta num mundo imaginário talvez, ou somente em estado de profunda concentração.
Os meus olhos já a buscavam quando eu me aproximava do caminho que levava ao mirante. E a minha curiosidade aumentava a cada semana... Nesse último passeio que fiz, tive vontade de me aproximar, saber o seu nome e até mesmo papear.
Ponderei que ela talvez se assustasse ou então poderia somente se sentir incomodada. Então retomei minha caminhada e tentei imaginar as histórias que ela escrevia... Seriam histórias, poemas ou somente um diário? Jamais saberia se não me aproximasse. Meus pensamentos eram interpelados pela pergunta costumeira: - Por que não vai até lá? Foi então que decidi retornar,  subir o talude e tentar uma aproximação. Sentei- me a uma pequena distância dela e fiquei mirando o horizonte, como quem estivesse ali por outro motivo. Não ousava atrapalhar a redação continuada que ela fazia... De súbito, tomei coragem e olhei para ela:
- Bonito lugar, não é?
Ela sorriu para mim e pude perceber que o azul dos seus olhos eram iguais ao céu.
A menina se levantou e caminhou na minha direção, limpando um resto de grama no seu jeans. Passou a mão pelos cabelos curtos, ajeitou a mochila nas costas e olhou para o horizonte.
- Eu venho sempre aqui.
Mal sabia ela que eu era seu vigia e não havia novidades naquela informação. O papo foi longo... Alegrei-me em perceber que tínhamos alguns pontos em comum. A medida que falava eu tentava gravar cada detalhe do seu rosto. Tive receio de não mais revê-la.
Agora, de volta ao meu carro, relembrei cada diálogo desse encontro... Decidi registrar no meu bloco de notas.
Relendo a história vi que esqueci-me de indagar o que tanto ela escrevia... No próximo sábado eu irei perguntar!

Nota: Se gostou, leia a sequência O "moço do parque".
Cláudia Machado
Enviado por Cláudia Machado em 24/09/2018
Reeditado em 25/09/2018
Código do texto: T6458405
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Cláudia Machado
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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