UM CERTO ROMEU
UM CERTO ROMEU
Uma bolinha branca, com algumas rajas champanhe, sem raça definida, dono de uma cauda que mais parece um espanador e os olhos cor de mel, claros, um “que” de esverdeados, esse é o Romeu, lindo! foi abandonado pela família que o “comprou”.
Esse é o retrato de uma sociedade imediatista. Não adota, compra um cachorrinho bonitinho, porque quer atender o capricho de algum membro da família, como se não fosse uma vida, mas um brinquedo qualquer e no primeiro obstáculo, despacha esse serzinho na rua, não é em algum abrigo, na rua mesmo, tristemente abandonado, ainda bebê, sofrendo todas as mazelas que a rua pode oferecer, cruel, solitária. Esse foi o começo de vida do Romeu.
E foi assim que o Romeu entrou na vida da minha irmã, na nossa vida, na nossa família. À primeira vista parece que Romeu teve a sorte de encontrá-la, mas a história prova o contrário, sim, a sorte grande mesmo foi dela.
E vamos aos acontecimentos:
Resgatado, providenciado os primeiros cuidados e eis que de um maltrapilho cãozinho surgiu um lindo “lorde”.
Os primeiros dias foram difíceis, porque “gato escaldado”....ops! “cão escaldado”....era o sentimento de rejeição arraigado naquele coraçãozinho sofrido. Ao chegar no seu novo lar se enfiou embaixo da cama e por lá ficou mais de um dia e com a aproximação de alguém, se ouvia um Grrrrr!!! e detalhe, não latia, só saía para se alimentar fugazmente, porque minha irmã colocava sua ração enfileirada no intuito de fazê-lo sair da “toca”. Muito traumatizado pelos mal tratos antes recebidos, chegou a tal ponto de querer se jogar janela abaixo, além de ter destruído uma planta, na sua ausência.
A que ponto um ser humano pode ser tão cruel! Hoje, recuperado com terapia, lindo, silencioso, cuidadoso, agradecido, compadecido, esse é o Romeu.
Talvez você se pergunte: como assim, que exagero! por acaso ele é humano? Eu respondo - vamos aos fatos:
Ele demonstra cuidado quando lhe é oferecido um biscoito e ele pega com a boca numa delicadeza impressionante, ante o receio de machucar a mão que lhe oferece o alimento.
Ele demonstra agradecimento a qualquer pessoa, que na ausência de sua mãe fica cuidando dele. Quando a mãe chega ele pula, beija, se contorce todo, dá cambalhota e depois de toda demonstração de carinho e amor, vai até a pessoa que lhe fez companhia e faz um carinho sutil com uma lambidinha quase imperceptível.
Ele demonstra compaixão quando aflito, ao ouvir o choro de algum cachorro na rua corre para chorar junto, compartilhando aquela dor.
Nesse momento que estou escrevendo ele está comigo, na ausência da mãe, por uns dias, e garanto, é uma companhia agradável, silenciosa e se comunica muito com o olhar. Fazemos “cãominhada” todos os dias e minha irmã garante, “ele” é que a transformou e a transformou numa pessoa muito melhor. Romeu é uma bênção em nossas vidas.
Fathma Oliveira
Phb-PI 21/09/2018