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TRANSMISSÃO DE PENSAMENTO

Não é de hoje que se atribui à transmissão de pensamento a resposta que alguém dá a uma pergunta ainda guardada na mente do outro. Também, à aproximação ou à chamada telefônica de alguém em quem se estava pensando, assim como os encontros não combinados e outras inesperadas coincidências do cotidiano. Os fatalistas enquadram essas ocorrências em determinações de forças superiores. Segundo eles, tudo meticulosamente planejado, nunca casual.
A telepatia permeia facilmente as conversas sem comprometimento científico. Nesse ambiente, serve para explicar qualquer fenômeno extraordinário na comunicação entre pessoas. Por isso mesmo, é o termo mais popular para significar transmissão de pensamento.
A parapsicologia até que tenta oferecer alguma seriedade aos relatos sobre telepatia. Mas, falta-lhe argumentos aceitáveis pela biologia e demais ciências que se louvam em fatos comprováveis e passíveis de repetição por terceiros. É que no ambiente científico, a dificuldade de comprovação factual costuma decorrer de falhas nos procedimentos experimentais, tais como, falha no controle de variáveis, má formulação de hipótese, pretensão de teste de hipóteses ousadas ou de larga abrangência, como é comum aos experimentos parapsicológicos mais relatados. Pena que suas forçadas tentativas de validação de resultados terminam por gerar mais dúvidas e descrença que certezas. Essas dubiedades não derivam apenas do insucesso na reprodução das situações experimentais relatadas, mas, principalmente, dos limites do conhecimento para se identificar qual o veículo condutor ou em que meio transitam as mensagens supostamente transmitidas. Advém, daí, o inexorável apelo às forças metafísicas, abusando-se do conceito de “energia”.
Sob a ótica da ciência, a transmissão de pensamento recebe outro tratamento. Baseia-se em pilares de boa credibilidade e tem ganhado mais espaço nas últimas décadas.
Grande avanço ao tema foi dado pelo neurobiólogo italiano Giacomo Rizzolatti, da Universidade de Parma, Itália, no ano de 1992. Experimentos com macacos, tendo sensores eletromagnéticos conectados ao cérebro, revelaram que mensagens mentais não expressas lhes podiam ser transmitidas e repetidas por imitação. Hoje já se sabe que são células do tecido nervoso cortical os agentes biológicos envolvidos nessa função.
Como as investigações iniciais limitaram-se a observar comportamentos imitativos em ratos experimentais, onde um animal não treinado passou a reproduzir tarefas motoras complexas aprendidas por outro longamente treinado, as células envolvidas nesse fenômeno foram denominadas “neurônios-espelho”.
Apesar desses avanços e descobertas, são pouco confiáveis os resultados em transmissão de pensamento obtidos entre seres isolados a grande distância, o que adia respostas absolutas à telepatia mais remota. Acredita-se, pois, seja a intercomunicação de pensamento dependente de certa proximidade para acionar o veículo (aí cabe o termo energia!) transmissor. Tudo indica serem ondas de frequência imperceptível e não identificável com os instrumentos de medição disponíveis.
Pouca dúvida resta de que os neurônios-espelho em seres (pessoas e mamíferos com boa evolução cerebral) conseguem se interagir mutuamente resultando em comunicação não convencional, isto é, sem intervenção de sons, gestos, desenhos, mímicas, escrita etc.
A interatividade decorrente da funcionalidade dos neurônios-espelho na intercomunicação mental sugere algumas peculiaridades. Parece altamente relacionada com a similaridade (ou proximidade) genética, afeição e bem-querência entre os entes comunicantes. Mais, ainda, de inequívoca vontade de interação social, ou seja, de simpatia. Sem a simpatia, admite-se que a transferência fique parcialmente prejudicada.
Como os indivíduos autistas são regularmente desinteressados na interatividade social, há quem suspeite de anormalidade relacionada com seus neurônios-espelho.
Por oportuno, vale citar os experimentos conduzidos em parceria da Universidade Duke, nos Estados Unidos, com o Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN), no Rio Grande do Norte, Brasil (vide revista Scientific Reports, de 28/02/13). Conseguiu-se, com sucesso, obter, codificar e armazenar em chip eletrônico mensagens cerebrais de aprendizagem obtidas dos neurônios-espelho de um rato “codificador” e transmiti-las, “sem fio”, a outro rato “receptor”. O resultado foi notar-se no rato receptor “sabedorias” adquiridas pelo animal “codificador”, confirmando as hipóteses relativas aos neurônios-espelho.
Um grande valor desse trabalho foi demonstrar a possibilidade de codificação eletrônica de atividades cerebrais e permitir sua transferência com os recursos físicos conhecidos. Nesse caso, além do sucesso na transmissão via ondas magnéticas, ocorreu também, transferência de aprendizagem, abrindo caminho para pesquisas no armazenamento e multiplicação do conhecimento por vias não convencionais.
Em suma, progressos no estudo dos neurônios-espelho podem ser de fundamental utilidade nos processos instrucionais e no refinamento de aconselhamentos e regras de sociabilização.
Por fim, registre-se que a ciência está avançando no assunto, segura e cautelosa, para não se fazer contaminada por assertivas infra lógicas ou metafísicas no estudo da transmissão do pensamento.
Roberio Sulz
Enviado por Roberio Sulz em 16/05/2018
Reeditado em 16/05/2018
Código do texto: T6338163
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Roberio Sulz
Alcobaça - Bahia - Brasil, 75 anos
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Roberio Sulz