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CARTAS ÁRABES - 

Agradecendo as visitas dos amigos, deixando um comentário aqui outro ali, me veio outras histórias sobre as cartas...

Cartas Árabes: 1950/1960

Minha avó Asma (Iracema), mãe da minha mãe, veio com 9 anos do Líbano, falava vários idiomas por serem obrigatórios em seu país; árabe, francês, italiano, inglês, russo, alemão, dialetos turcos, esses últimos eram para identificar o que os inimigos diziam em caso de uma invasão. Aqui ela aprendeu o idioma português e o espanhol.

Ela falava fluentemente todos os idiomas, mas não os liam mais, principalmente o árabe que mais parecem hierogrifos " minhoquinha pra cá, minhoquinha pra lá" rsss

Então quando chegava alguma carta do Líbano era o Sr. Aboud um amigo patrício e comerciante do bairro quem lia essas cartas. - Ela era danada colocava umas pequenas anotações em forma de setas, para um lado e para o outro, decorava as palavras do Sr. Aboud, com isso, ela tinha condições de "ler" e as leu várias vezes, para os seus irmãos a carta sem errar uma "minhoquinha" rss - dizia ela que essa técnica de decorar ela aprendeu em criança, para decorar os textos mais difíceis.

Esclarecendo:

A família da minha avó possuíam no Líbano um Colégio Cristão, para moças e recebiam moças de toda Europa para sua formação. A direção eram de padres e freiras ortodoxos e os professores todos eram familiares. - Tem a crônica: História de Fibra e Coragem

Minha avó sempre foi muito esperta, tinha o raciocínio rápido logo saia com uma solução para o seu problema...rss

Um dos seus primeiros "entraves" no Brasil foi o seu nome ASMA - pronuncia-se ASSIMA - as pessoas a chamavam de dona Asma, isso a irritava demais, antes que o pessoal se acostumassem a chama-la assim, ela mudou seu nome radicalmente para Iracema...rss - Era batuta a minha avó! rss

As cartas recebidas dos seus familiares nas décadas de 50/60 foram lidas e relidas pela minha avó e ficaram guardadas em uma bolsa velha de couro. Minha avó faleceu em 1975 e minha mãe ficou com essas cartas. Só tem um porém... Minha mãe nunca leu em árabe, nem sabe o teor de cada linha descrita naqueles hierogrifos.

Apenas as guardou, por serem da sua família...

Interessante é que minha mãe diferente do meu pai, não é saudosista, hoje, já um pouco esquecida, morando em uma clínica, lembra das pessoas, mas não se lembra mais de detalhes como dessas cartas...

Elas foram rasgadas e jogadas no lixo, por mim, depois de mais de 50/ 60 anos. Isso sim, são lembranças para se guardar na memória...rss


 
SanCardoso
Enviado por SanCardoso em 12/04/2018
Reeditado em 13/04/2018
Código do texto: T6306605
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
SanCardoso
São Paulo - São Paulo - Brasil
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