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Vida Globalizada
 


 
Em 2014, eu escrevi uma crônica intitulada “O Sentido da Vida.” Curtinha e despretensiosa. Eu falava que o sentido da vida está nas coisas simples, na ajuda que prestamos a alguém, no prazer de uma boa música ou de terminar uma faxina e ver a casa limpinha. Pelo menos, é assim para mim até hoje. 

Eu gosto de remexer nos meus escritos mais antigos e perceber o quanto eu mudei. É como revisitar o meu passado e ver como eu era (ou ainda sou). Reli também os comentários postados sob a crônica, e um deles me chamou a atenção; é de um amigo virtual antigo, o Luiz, cujo apelido é Yamanu. Ele disse o seguinte:

“A vida só tem sentido no metro quadrado que ocupamos. Globalizada a vida não tem sentido algum.”

Li, reli, e li de novo. E concluí que ele está coberto de razão. Talvez por isso muita gente ande por aí quebrando a cara, a procurar um sentido para a vida. É que quando a gente pensa em vida e em felicidade, a nossa mente imagina uma porção de coisas enormes: feitos milagrosos e incríveis, lugares fantásticos, viagens, quem sabe, fama, milhões de amigos, coisas caras. Acredito que exista um pouco de sentido nessas coisas, mas é de um tipo passageiro, temporário, que preenche um momento ou outro mas que não preenche o coração. E quando o momento passa, o buraco vazio fica ainda maior ainda.

Acho que só quando a gente consegue encontrar o sentido no nosso quadradinho diário, é possível encontrar na vida alguma felicidade. Globalizada, a vida torna-se um exercício de competição, comparação, crítica, frustração, rancor e inveja. Um triste jogo de interesses. Surgem os desejos de vingança, a mania de dar lição de moral aos outros, o orgulho disfarçado de humildade, a mordacidade disfarçada de sabedoria. Todos os dias, nas redes sociais, deparamos com frases de efeito – geralmente, com a intenção de orientar os outros – postadas por pessoas que não conhecem sequer o caminho até a soleira da porta da própria alma, mas que se acham sábias e vividas o suficiente para dar conselhos (ou jogar indiretas). 

Acho que o meu amigo teve o seu momento de sabedoria. Todos nós temos um de vez em quando, mas que isto não nos torne orgulhosos demais de nós mesmos... Incrível, é que o comentário dele, postado em 2014, só surtiu o seu efeito verdadeiro em mim agora, quatro anos mais tarde. Talvez eu tenha evoluído, quem sabe...



 
Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 13/03/2018
Reeditado em 13/03/2018
Código do texto: T6278844
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Ana Bailune
Petrópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 52 anos
2013 textos (178699 leituras)
4 áudios (622 audições)
8 e-livros (1885 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/06/18 00:54)
Ana Bailune

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