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COISAS DO CORAÇÃO.

Conheci o meu primeiro amor, aos nove anos de idade. Era cunhada do meu irmão, que foi morar na casa dos meus pais, para ajudar a irmã e em troca, iria estudar. Menina nascida no interior; cheia de vermes e piolhos - fato normal entre as crianças nordestinas ( até que apareceu o neocid e o pente fino). Possuía cabelos negros azeviche, olhos graúdos esbugalhados, como bicho, fugindo do predador... E não vi mais nada, meu amor menino me cegou! Também não disse nada, afinal, o que um menino tem a dizer do amor? Então, fui até a venda mais próxima e gastei todas as minhas moedas em bombons. Foi o meu primeiro presente a ela.

Vivemos juntos, na mesma casa, dos nove aos doze anos e, nesse tempo, meu amor menino crescia, enquanto tentava roubar meu primeiro beijo ( literalmente)! Lembro que toda vez que tentava, era repelido com um empurrão e um sorriso. Era triste, pois ela tinha por mim, um amor de irmã.

Foi quando mudou-se para casa de uma tia e por longos cinco anos eu fiquei sem vê-la, até que se alojou num cantinho do meu coração e ibernou. Fiz de tudo para esquece-la, mas, era tarde demais! Não se esquece jamais, um amor verdadeiro. Ainda que se ame por dois.

Aos dezessete, nos encontramos de novo. Ela estava linda, num quase corpo de mulher. E eu, com três ou quatro fios de barba e um bigodinho imoral. Derepente o urso adormecido em meu peito acordou e, outra vez me fez de prado e se alastrou em mim, feito brasa, que ardia em minha alma e consumia meu ser... Tudo voltou! Tudo.

Ela estava indo passar férias no interior, na casa do meu irmão e, tinha ido me buscar para ir junto. So deu tempo de pedir ao meu pai e entrar no carro! Quatro horas de viagem, sentados juntos no banco de trás; quatro horas de olhares desejados e... Silêncio! Até que nossas mãos se tocaram e se acariciaram entre mãos. Nem uma palavra fôra dita; não precisava... Os olhos de minha amada, estavam pousados em mim.

Depois de alguns dias chegado, meu irmão, conhecedor da arte do coração (e adjacências), pegou a esposa e os filhos e foi passear, deixando-me so com ela. Pus o Roberto na vitrola, colei o meu corpo ao dela e dançamos sem sair do lugar... Às vezes na ponta dos pés, outras no calcanhar. E nos fitamos olho no olho e não dissemos nada, porque nossas bocas se perdiam e se afogavam, no meu primeiro beijo de amor. Até tentei algo mais, mas, ela disse não. Ficamos nessas tentativas e negativas as férias inteira, porém, como o meu amor estava a cima de tudo, meu respeito também, até o dia do nosso regresso. E voltamos sentados no mesmo banco do carro, calados, de mãos dadas, a conter um sonho que partia em nós.

Após a chegada, nos despedimos e juramos fidelidade e amor eterno. Ela iria para outro Estado, eu ficaria por aqui. Disse-me ela, que escreveria toda semana. Fiquei esperando por três anos, uma carta que nunca chegou. Então, conheci outra garota, que se tornou minha esposa e mãe dos meus filhos. Depois soube que ela também casara e tivera filhos. Nada mais soube dela.

Conheci meu primeiro amor aos nove anos... Primeiro, verdadeiro e... Único. O incrível em tudo isso, é que ainda espero uma carta por vir.
o romantico
Enviado por o romantico em 15/02/2018
Código do texto: T6254811
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
o romantico
Bacabal - Maranhão - Brasil
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