A DOR DE UMA LÁGRIMA.

É no silêncio de mais uma manhã, de um dia qualquer sem importância, afinal, os dias já não fazem diferença a este poeta solitário. É neste silêncio tão doloroso que rabisco mais estes pensamentos na forma tosca dessa crônica. Em geral, e nas maiorias das vezes, os meus pensamentos se apresentam desordenadamente e muito confusos por sinal, e sempre eu tenho o mesmo trabalho dobrado para ordená-los e organizá-los de forma satisfatória antes de expressá-los em palavras escritas. Mas penso que a memória é mesmo assim, ela é confusa seguida de um pensamento complexo. Não sei porquê de acreditarmos, pelo menos eu, em termos o domínio sobre este pensar tão rebelde, a realidade é por demais diferente. Eu afirmo isso baseando-me em minhas próprias experiências, nestes últimos tempos, os meus pensamentos bem como as minhas memórias, estão em uma verdadeira confusão. Às vezes algumas lembranças do passado foge ao controle, escapa do cárcere, lembranças essas que parecem com espadas afiadas a transpassar o meu coração, tento evitar, mas não consigo, eu nunca consigo, como hoje por exemplo.

Percebam o seguinte, faça uma breve análise; uma planta nasce, cresce, floresce, logo depois murcha e desfalece. Essa é a ordem natural presente na natureza, e acho que na própria vida. Com base neste princípio, com frieza de cálculo, concluo que foi o que me aconteceu, ou o que acontece quase tempo todo. Algumas amizades são como plantas, elas nascem belíssimas, crescem esplendorosas, florescem magistrais, mas logo depois, os dias ruins murcham as suas folhas e as secam, e aquela linda amizade desfalece.

É no silêncio desta manhã inglória que me propus a refletir neste assunto em específico, na verdade chorar tão bela amizade que se foi. As minhas muitas lágrimas molham a folha onde rascunho essa crônica, se fosse possível expressar a dor de cada lágrima que cai… Eu certamente o faria, mas é como dizem por aí, a vida é para ser vivida e a dor é para ser sentida, enfim, que poeta poderá pintar a dor de uma lágrima caindo? Talvez quem sabe, essa pessoa, responsável por essas minhas lágrimas, virá um dia ler minha crônica, se isso vier a acontecer, que saiba, que de todas as dores que experimentamos na vida, a da amizade que desfalece é sem dúvidas a pior de todas. Me atrevo a dizer que é pior do que a própria morte.

Caríssimo leitor, eu vou ficando por aqui, despeço-me com o coração dolorido, o jeito é seguir com a vida, e a dor dessa saudade… Ah, essa ainda vai ficar por aqui mais um tempo, quisera eu meus amigos poder voltar no tempo e mudar tudo, quisera eu… Mas a vida é mesmo assim, uma planta morre, outra nasce no lugar, e a vida prossegue o seu curso, e não dá garantias de nada.

Tiago Macedo Pena
Enviado por Tiago Macedo Pena em 16/11/2017
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