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Livro da vida.


              Às vezes penso sobre que tipo de livro se escreveu a minha vida : romance, aventura, drama ou comédia , e concluí que tem de tudo um pouco ou muito, dependendo do gênero e da época. Uma reflexão ou de fato um balanço , de qualquer forma a vida é o livro que escrevemos, uma história com muitos capítulos, sem um prólogo mas certamente com epílogo.
              Uma infância rica em acontecimentos, fatos marcantes, mudanças de rumo e constante medo, pois a realidade parecia assustadora demais. Do nascimento aos dezoito anos vivi em onze casas diferentes , meus pais tinham uma relação tempestuosa , e estava sempre apreensivo ,em alerta máximo, embora isso contrastasse com meu temperamento afável e divertido, por muitas vezes puxava a atenção com fatos engraçados para diminuir a pressão. Um dia a minha mãe me disse: "filho eu sei o que você faz, tentando evitar conflitos, e você é um menino que percebe as coisas da vida ", acho que foi um grande elogio que me deu coragem.
              A minha mulher disse que o meu humor a cativou, pois sempre a fiz rir, até hoje , mesmo que já com menos frequência. Aqui é a parte do romance, superação ,luta e trabalho, viagens ,missões e desafios, onde entra também a aventura. Me casei cedo, mas nunca senti falta da casa dos meus pais, eu precisava seguir meu rumo, tinha dezenove anos e estava cansado .
              Nunca fui mulherengo, o canto da sereia nunca me enfeitiçou, vivi para a minha família, domei meus próprios cavalos , pois também tenho um temperamento forte e conviver nunca é tarefa fácil. Não fui um homem ciumento, quem ama confia.
              Ainda hoje, às vezes me sinto tenso mas passa, uma angústia que não sei explicar, mas passa, e imagino que são marcas de uma infância difícil. Sinto que precisei de um psicólogo para curar feridas, mas nunca tive coragem de fato. Hoje, faria , mas já se passou tanto tempo...
              Uma vez sonhei que uma voz me dizia : " você tem uma missão que te será revelada ", então essa voz falava em um idioma que nunca ouvira antes, e não consegui entender. Foi logo que me casei, e esse estranho sonho martelou na minha cabeça, mas não voltei a sonhá-lo. Seja qual for essa missão, pode ter sido concluída, mas só saberei no epílogo do meu livro.
 
Aragon Guerrero
Enviado por Aragon Guerrero em 12/10/2017
Código do texto: T6140173
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Sobre o autor
Aragon Guerrero
São Paulo - São Paulo - Brasil, 63 anos
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Aragon Guerrero