O valor do silêncio
O VALOR DO SILÊNCIO
Por Luiz A G Rodas
Diz o cantor Lulu Santos em linda música popular "...não existiria som se não houvesse o silêncio...".
Aqui estou a refletir o quanto o nosso mundo está ruidoso, barulhento.
Cada vez mais se aumenta a balbúrdia.
As pessoas, hoje, não falam. Aos gritos travam indecifráveis ruídos em desleal diálogo de competição.
Sabe-se que o bom uso da voz, esse instrumento natural e valioso, dá ternura às palavras pronunciadas em entonação e momentos adequados. Sons que, de tanta harmonia, podem ser comparados à uma bem executada ópera.
O silêncio, o calar entre as frases, nos dá a chance de breves meditações, ensejando pensamentos harmoniosos que favorecem nossa compreensão.
A Lei do Silêncio não existiria se as pessoas se respeitassem. Comumente, perturba-se o discernimento alheio com os conflitos e desordens emocionais. Nos perguntamos o quão difícil é silenciar diante de um multidão falante, de uma injustiça ou de uma aberração.
Cá com os meus botões, ainda continuo silenciando em consideração ao meu semelhante, embora a recíproca nem sempre seja verdadeira.
Procuro me policiar no uso da letal arma vingativa, da navalha revestida de palavras.
Escreveu J.J. Rousseau: " só entende o valor do silêncio quem tem necessidade de calar para não ferir alguém". Parcialmente, estou a discordar desta afirmativa. Estudiosos até recomendam que uma reação proporcional e educada, muitas vezes, é salutar.
Reconheço que o puro amor é embalado pelo som do silêncio. E, mais uma vez, me vem a mesma canção, permitindo parafrasear: "...eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia, de silêncio..."
Penso que até a solidão chora calada porque lembrou-se que o poderoso Sol, a luz democrática do mundo, também é um eterno solitário.
Medito, nas minhas virgílias, o Evangelho Lc2, 16-21 "Maria, contudo, observava silenciosa todos os acontecimentos, e refletia sobre eles em seu coração".
É a autoterapia do silêncio usada para o meu aprimoramento espiritual.