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Memórias frustradas de um FGTS

FGTS, ou Fundo de garantia por tempo de serviço, certo?
Para quem?
E aí você sai preparado com papéis, documentos para o grande dia de sacar seus "direitos" de trabalhador.
A premissa sempre é "um dinheirinho a mais ajuda ou não vou deixar para o governo o que é meu".
Legal, eu também penso assim,rs.
E lá vamos nós enfrentarmos filas, filas, filas, filas........
Tudo bem organizado! (só que não)
E você chega bem antes das 8 horas afinal, foi dito na mídia que abriria antes, certo?
Errado!
Na última hora eles receberam uma ordem de Brasília que só abrirá as 10 horas.
Ótimo!
São apenas duas horas e mais uns 20 e tantos minutos, afinal você já é o terceiro e quer ser atendido rápido.
Rápido?
O que faço então?
Espero de pé, porque mesmo sentada no chão frio vou cansar.
E aí na falta do que fazer, você vai contando quantas pessoas tem na fila, observa cada um, a si mesmo, olha no whats app, vê videos, consulta, e o tempo não passa, afinal no conflito entre a rapidez de uma tartaruga e um caracol, todos passaram da linha de chegada, menos teu tempo de espera.
Contei desde minha chegada até antes mais ou menos 30 pessoas considerando a loira de preto como referência,rs.
Mais de uma hora depois nem a loira servia como referência, afinal já tinha passado de 60 pessoas.
Detalhe, não pode se esquecer dos idosos, gestantes, mães com bebês no colo, e deficientes que tem o direito a passar na frente.
Está correto e eles não tem culpa.
Mas quem organiza deveria deixar um ou mais guichês, somente para o atendimento dessas pessoas.
E você conversa rapidamente com alguém, sorri, ou escolhe ter um treco observando um falido sistema.
Bem, eu prefiro a primeira alternativa.
E entram os funcionários de tempos em tempos...
E o rapaz da maquininha de senha...
Alguém comenta na fila: "Só faltava essa droga dar pau".
Rimos pra não chorar.
A máquina liga, eba!
Você espera o primeiro, o senhor de idade, a mãe com bebê, o deficiente idoso na cadeira de rodas, todos querendo resgatar a "fortuna" de quem trabalhou e se doou para o país e é obrigado a se humilhar, para quem sabe resgatar uma quirelinha.
Fora o detalhe da irritante porta de entrada com detector de metais, que apita com chave, celular ou qualquer objeto metálico.
Claro que isso só vale para o trabalhador, porque o bandido fica do lado de fora e rouba na cara dura sem detector de coisa alguma,né?
Quando você consegue passar pela "barreira dimensional" da porta, e senta por ser o terceiro da fila, fica mais feliz, afinal chegou sua hora...
Sentei e ao meu lado uma jovem reclamona, que ficava criticando o rapaz que tentou entrar de mochila e não conseguiu.
E tantos outros que se confundem na porta, mesmo porque a danada é chata pra dedéu.
Então penso: já que vou ficar rico não sei se compro uma pizza, ou faço
um mini churrasco,rs!
Mas algo ocorreu...
E mais uns 20 ou 30 minutos após as horas passadas na inércia, você é atendido!
Que delícia!
Um bom dia forçado da atendente, e você descobre que as empresas que trabalhou e tem registro, não deixaram nada pra você.
Detalhe: sua carteira de trabalho não tem o número de FGTS, refiro-me as carteiras da década de 80, que no caso é a da minha,rs.
E seu tempo de prefeitura e estado, que trabalhou com a profissão mais desvalorizada pelo país, é claro que vocês desconfiam qual seja.
Sim, ela a bela: a de professor!
Mesmo com seu "miserite" (assim chamavam alguns professores de minha época, o grande holerite de pagamento), você descobre que não há um centavo a ser recebido.
É tanto zero de nada, que dá até pra fazer um colar de zeros.
Você pode receber não ser que após se deslocar para sua DREM (Delegacia Regional de Ensino), peça uma averbação de tempo de trabalho, com o número de registro funcional para contar como Aposentadoria.
Ou seja pra lá de Kali Yuga, com essa reforma destrutiva que querem fazer.
Resumindo: o FGTS foi para um lugar que você leitor imagina, e eu não vou comentar afinal, pois é um palavrão!
Que maravilha!
Raiva, indignação, e os sentimentos de ser pisado, lesado, humilhado e roubado na cara dura, pelos "poderosos" que passeiam por nosso pobre rico país.
Ao menos serviu para vocês amigos lerem, e eu desabafar minha revolta, perante tanta injustiça e falta de respeito a todos nós brasileiros.

Kunti

Kali Yuga (Era de Kali) que é uma deusa na simbologia hindu, e seu tempo que equivale há apenas 432 mil anos).


 

kunti
Enviado por kunti em 13/07/2017
Reeditado em 17/05/2018
Código do texto: T6053166
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
kunti
São Paulo - São Paulo - Brasil, 53 anos
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