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Ti Rocha canteiro e seu burrinho

                            Ti Rocha canteiro e seu burrinho
O ti  Rocha, que vivieu aqui no Algarve bem no sul de Portugal, este velhote era canteiro de profissão, isto é trabalhava as cantarias, que nos prédios ou mesmo nas casinhas mais simples, eram as ombreiras, peitoris e as cimalhas, que era a parte superior das janelas, os peitoris eram a parte inferior as ombreiras, eram as duas colunas que suportavam a parte superior e assentavam nos peitoris das portas. Hoje já não se usa  por cantarias para estes fins, usam-se coisas mais modernas, mas não quer dizer que sejam masi seguras. O canteiro, também faziam aquelas tabuletas nos cemitérios, com o nome da pessoa falecida, com a idade que faleceu, tudo isto era registado com letras entalhadas na pedra mámore. Estes peofisssionais também costumavam pousar as pedras dos lancis, eram especializados em muitos trabalhos com pedras, por vezes quando trabalho escaciava, também trabalhavam de pedreiros.
Ora acontece, que o ti Rocha tinha um burrinho já muito velho,pelas suas contas, estava perto da hora de deixar o ti Rocha, sem meio de transporte, para se deslocar para as obras, também para se deslocar aos mercados, pois ele nunca foi amigo, de bicicletas motorizdas, que começaram a aparecer, que faziam a alegria dos jovens, com algumas pernas partidas, e infelizmente algumas mortes, por exceso de velocidade, má conduão, até por beberem uns copinhos e perderem o domínio das maquinetas. Ná o ti Rocha estimava muito o seu coirão, como ele gostava de se referir ao seu corpo, então o seu meio de transporte, seria sempre o burro. Um dia como o burro já era muit velhote, e pelas suas contas, devia estar para breve ele ficar sem transporte. Pensou antes que ele morra, vou à faira de Santa Barbara, ao mercado ou feira onde se comprava e vendia gado de toda a variedade. Ora ele manhosamente pensou; vendo o burro mesmo que não me que o comprem por pouco dinheiro, por vêm que já velho, mas assim se morrer, na posse do comprador, ele que se amole em abrir uma cova, para enterrar o gerico não sou eu a ter esse trabalho. Como já era umas nove horas, foi a pé para a feira, com o burrico pela rédea, por ali andou a apalpar terreno como se costuma dizer. Ao fim de meia hora, abeirou-se de um cigano, que comprava e vendia burros, cavalos, mulas, depois do dito negociante examinar o burrito, ver a idade do animal, as patas, se coxeava se era manço ou espantadiço, fez a oferta da compra em dinheiro claro, o ti Rocha achou pouco e por ali falaram mais cinco menos cinco, mas ele acabou vendendo o burrico pela quantia que o cigano lhe ofereceu, com a pormessa que não lhe dou mais do que esta importãncia pelo animal, que já é muito velho. Como o ti Rocha queria mesmo era desfazer-se do animal, que mais dia menos dia acabaria por morrer para não ter o trabalho de abrir uma cova para enterrar o bicho, aceitou o dinheiro oferecido e foi embora dar uma volta, para ver que tal era o gado, que se comprava e vendia naquela feira, também foi deitando olho,a uns burros, para saber quanto teria que abrir os cordões à bolsa, para comprar ou burrico!
Depois com a hora do almoço que chegara, o ti Rocha foi a uma taberna, onde se comia bem e em conta, escolheu uma ementa que lhe agradou mais, foi dando dois dedos de conversa, com alguns conhecidos sobre coisas da vida, dos trabalhos, foram bebendo uns copitos, para passarem o tempo, a tarde estava quase no fim, ele lembrou-se que tinha que ir ver se negociava um outro burro,para não fazer aquelas léguas (5 quilómetros a pé) foi de novo à feira, para ver se topava um outro burrito, para não ir a pé para casa. Por ali andou olhando e parando, para ver as alimárias que estevam à venda, até que viu um animal todo remexido, a bater com os casco no chão, com o pelo bem aparado, com aqueles desenhos que os tosquiadores facem, nos quartos trazeiros dos animais, cheios de recortes, ele ficou entusiasmdado, examinou bem o beicho e quando deitou a mão para afagar o burrico, este todo se remexeu, não parava, sempre a bater as patas e a cabeça não parava. Entrou en negócio com o cigano, que não era o mesmo que tinha comprado o velho burro lazarento, este cigano era outro. Assim lá regatearam mais cem menos cem, o cigano dizia vocemcê leva aqui um animal muito bom, cheio de vida, mas é manso, só que como não o conhece, não pára de bater com as patas, mas vai ver que é um bom negócio! Dou-lhe a minha palavra. O ti Rocha muito contente, pagou o novo burro montou-se, ali vai ele a caminho da sua casa. Lá foi guindo o animal até à saída da aldeia, encaminhou-se para sua estrada, mas ao fim de uns quilometros, começo a ver como o animal trotava pela estra, sempre no lado direito, e isto começou a intrigar o ti Rocha, que dizia para os seus botões;  será que o animal seria de alguma casa neste caminho, mas foi sempre no seu passo, o ti Rocha pensou, já agora; quando chegar ao caminho que dá para a minha casa, não o vou guiar, para ver o que isto vai dar! Nem foi preciso puxar a rédia, o burro assim que se abeirou do caminho, sem que o dono o guia-se enveredou direto à casa do dono, depois ao chegar à cocheira, o dono tirou o cabresto e ele foi direto à manjedoura, onde era costunme ficar. O ti Rocha caiu que nem um patinho, porque o burro era exatamente o que ele tinha ido vender na feira nessa manhã.
Para informação. Os ciganos, são uns fulanos muito astutos no negócio dos animais, quando compram um burro, cavalo ou mula se for muito velho tosquia o bicho, fazem aqueles recortes nos quartos trazeiros, tudo muito bonito,depois levam o animal par um ribeiro que esteja seco, ou com pouca água e com uma vara, dão-lhe umas varadas valentes na barriga do animal, que fica nervoso e inquieto, pelo tratamento que levaram.
Se o animal  é irrequieto, fazem a tosquia e os desenhos, nos quartos e fazem-nos beber uns decilitros de aguardente, o bicho fica dócil como um cordeiro, mas o pior é quando a bebedeira passar, o novo dono é que tem que o aguentar!
Moral da história. O ti Rocha passado uns dez dias de recomprar o burro que tinha vendido, teve que abrir uma cova, para enterrar o jumento, e foi comprar outro, mas desta vez não se deixou levar.

Tomei conhecimento deste episódio, quando estive emigrado com o ti Rocha, em Paris França em 1965
Galeano
Enviado por Galeano em 22/06/2017
Código do texto: T6034431
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Sobre o autor
Galeano
Portugal, 83 anos
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