Há Uma Vaga No Céu. Quem Se Habilita?


Já era madrugada e o sono se confundia com a ansiedade. Ela precisava dormir, mas a preocupação de não perder a hora atrapalhava seu sono.Talvez o melhor seria sair àquela hora mesmo e percorrer os sessenta quilômetros até o aeroporto.Nunca gostou de dirigir a noite, ainda mais sonolenta e só.Um banho frio a despertaria. Antes de ir para o chuveiro, foi até a cozinha e ligou a cafeteira.Olhou pela janela e o tempo era chuvoso. Que diabos!!! pensou: detesto avião e logo hoje o tempo precisava estar ruim?

A viagem vale pela causa. Tenho uma conferência, preciso estar bem, é minha grande chance.Trinta minutos depois, o carro conduzido cuidadosamente ganha a estrada principal.O som alto para ajudar a mantê-la alerta.Lembrou que mascar chiclete também ajuda a não deixar dormir ao volante. Para num posto, outro café e uma cartela de chicletes.Em pouco tempo esta no aeroporto, estaciona o carro, pega a pequena mala.Vai apressada ao guichê da cia aérea, percebe que chegou cedo demais para o vôo.Melhor assim. Anda de um lado para o outro no saguão do aeroporto. É a primeira a entrar na sala de embarque. Mais um bom tempo de espera.Já está em frente ao portão de embarque, como se pudesse com este ato, apressar a saída do vôo.Medo e angustia, noite mal dormida.Ansiosa, é a primeira a embarcar. Do seu lado senta um homem estranho. O avião lotado não permite que troque de assento.Depois de trinta minutos de vôo, um temporal.Ela começa a rezar em voz alta, o homem ao lado a olha e pergunta:

- Esta com muito medo?
- Apavorada.
- Bem, posso lhe dizer que, infelizmente vamos cair.
- O senhor me desculpe, mas não é hora de brincar.
- Não estou brincando. O avião vai cair e somente uma pessoa morrerá.Há uma vaga no Céu e eu estou aqui para saber quem se habilita.
- E porque não faz o convite a todos os passageiros?
- Farei a outro assim que você disser que não quer ir para o Céu.
- Eu quero, mas não agora.
- E para onde está indo que é mais importante que o Céu?
- Eu tenho muito que fazer e além do mais, acho que estou falando com um maluco.

Um estrondo, seguido de solavancos e o homem some no meio da confusão.Hoje, paraplégica e com uma grave lesão cerebral, ela só pode pensar na proposta que deixou de aceitar. (J.Ruy)