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O DEPOIMENTO DO "LULA"
     
     "Eu acho que poucas vezes, na história deste país...", Esta frase, tantas vezes repetidas como um mantra pelo ex presidente Luís Inácio Lula da Silva, nunca caiu tão bem como título de uma crônica política, quiçá, de uma futura crônica policial, dependendo dos desdobramentos futuro.
Não creio; apesar de que aqui não seja a Itália, ainda somos o país das pizzas!
     Ontem, eu confesso que gerei uma expectativa maior do que deverei em relação ao depoimento do ex presidente. Não que eu esperasse um grande show de pirotecnia, outra palavrinha do jargão jagunço-bandeirante-sertanejo dele, mas no meu íntimo, eu esperava dele duas coisa que eu sempre admirei no homem que eu ajudei a eleger-se presidente um dia: Inteligência emocional e respeito as mulheres. E a verdade é que lhe faltaram ambas...
     Em linhas gerais, inteligencia emocional é a capacidade de lidarmos com as situações adversas que a vida nos impõe de maneira positiva, procurando sempre, tirar um aprendizado para a vida prática. Mais recentemente, é o que o modismo psicológico rebatizou de resiliência...
     Em diversos momentos durante a oitiva do réu, o ex- presidente tentou manter o controle emocional mas volta e meia, deixava sua "jararaca" pular fora do saco e tentar dar o bote... E o juiz Moro ali, calmo e na dele, ciente de seu poder de magistrado. Um poder que, no fim das contas, ver-se-á que nada pode é bem verdade, mas ao menos naquele momento, pode muita coisa sim.
     O outro ponto foi o desrespeito a memória de sua esposa, a ex-primeira Dama, Dona Letícia Maria. Ora, querer jogar para ela, "poverina", a culpa pela compra, negociação, indicação de possíveis reformas, ou seja lá o que for em relação ao objeto em apuração do processo é no mínimo um ato de desrespeito as mulheres que ajudaram a construir o Partido dos Trabalhadores. No mínimo...
     Estamos vivendo uma era de extremos. De polarizações. De certos. De errados. Infelizmente, é mais uma vez a roda da história dando aquela girada mais acentuada que ela costuma dar de tempos em tempos, e que transforma tudo de maneira mais radical. Eu tenho observado a radicalização dos discursos com certa preocupação, principalmente de pessoas que são formadores de opiniões, por que?
     Por que eu sou de uma geração que filiou-se ao partido dos Trabalhadores poucos anos após a sua fundação, e continuo, mesmo sem crer mais na bandeira, filiado até hoje, talvez por me sentir órfão... Por que eu participei de um grupo de discussões chamado travessia socialista que sonhava e se articulava para uma luta armada, por que eu fui treinar técnicas de guerrilha em Cuba sob o pretexto de cortar cana de açúcar e ajudar aquele país, por que eu dei aulas de teoria marxista em acampamentos do MST quando era estudante de Economia, Por que em 1989, eu participei ativamente de uma greve de estudantes da antiga ETFRN e fui espancado pela Polícia Militar, sendo depois conduzido juntamente com outros colegas a sede da Polícia Federal Local e interrogado lá, por que já agora, servidor público estadual cometi o "erro" de fazer a coisa certa de delatar um esquema de corrupção policial e vi durante quatro longos anos minha vida virar ao avesso...
     Então, antes de virem para cima de alguém como eu com discursos maximizadores, saibam que eu estarei pronto para lutar pelas causas que eu acredito, de preferencia com um cravo nas mãos. Mas se tiver que ser com um fuzil na outra... Que seja.
Gustavo Miranda
Enviado por Gustavo Miranda em 11/05/2017
Código do texto: T5996004
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Sobre o autor
Gustavo Miranda
Recife - Pernambuco - Brasil
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Gustavo Miranda