27 27 27 Arthur e a linguística
Artur, um dos netos, de 06 anos, três vezes por semana (ao menos) fica sob meus cuidados entre 19 hs e 23 hs aproximadamente, pois sua mãe – minha filha - leciona à noite nesses dias. Ontem, estando comigo,após ele ter passado um bom tempo no computador (Internet, joguinhos etc. etc. etc...), estabeleceu-se entre nós o seguinte diálogo:
Eu: - Arthur, agora chega de computador. Já esgotou o seu tempo, agora é a minha vez, conforme combinamos.
Arthur: - “Tá bom vô . Mas e o quê eu vou fazer agora? Eu não posso ficar sem fazer nada.”
- Sei lá Arthur. Se vira. Pega um papel e um lápis ou caneta e vá desenhar, ou escrever alguma coisa – sugeri.
- Escrever o quê vô?
- Sei lá. Inventa. Escreva uma poesia. Ou invente uma historinha e escreva ela no papel. Se preferir , em vez de escrever ou desenhar, vai plantar bananeira... pegue um violão e tente aprender a tocar... etc. etc. etc. Use a criatividade e vai descobrir o que fazer.
- Ah, já sei vô! Eu vou fazer aviõezinhos de papel! Posso pegar umas folhas dessas?
E lá se foi uma boa quantidade de minhas folhas de papel sulfite em seus experimentos aeronáuticos. Enquanto realizava seu trabalho; e eu o meu, a essa altura já conectado ao Facebook, tagarelávamos aleatoriamente. Até que Arthur fez uma indagação:
- Vô, o que você quer dizer com 27, 27, 27?
-27, 27, 27?!?!?! Não tô te entendendo.
-É vô. Você sempre fala 27, 27, 27.
-Você tá enganado Arthur. Eu nunca falei isso. Você deve estar me zoando!
-Não to zoando não vô. Você sempre ta falando 27, 27, 27. Agora há pouco você falou. É sério.
- Eu nunca falo isso Arthur. Agora se você está afirmando que eu falo; então me explique melhor. Dê um exemplo.
- Tá bem vô...deixa eu ver...ãhn....ah tá! Por exemplo , se eu saio do banho e estou pelado no frio, você já vem e fala “Arthur veste logo a roupa, põe a meia e o calçado rápido, que tá frio, senão você vai pegar resfriado, dor de garganta, dor de ouvido, depois fica sofrendo e dando trabalho pra sua mãe 27, 27 e 27....”.
- ?!?!? 27,27 e 27?!?! Você tá pirado Arthur. Eu não digo 27, 27 e 27 coisa alguma.
- É verdade, você sempre diz : 27, 27, 27.
Refiz em pensamento, o modo que eu costumo me expressar quando faço alguma admoestação a algum neto e, por fim, “caiu-me a ficha”. Aí desatei em gargalhadas:
- Arthur, não é 27, 27 e 27. Eu sempre falo etcétera, etcétera etcétera!
-Ah bom. Eu pensei que fosse 27, 27, 27. E o que é etcétera vô?
Expliquei -lhe o significado de etcétera, e na sequência aproveitei para lhe ensinar um novo modelo de aviãozinho de papel, aprendido na minha longínqua infância 27, 27 e 27.
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