As Vozes daqueles que não podem falar - Ato VI

“ Eu tenho orgulho...”

Na verdade, isso parece ser tudo o que me restou, pois tudo o que eu tinha, tudo o que eu era me foi descaradamente saqueado: minhas terras, meu lar, minha independência... minha vida.

Já fui rei uma vez. Governante orgulhoso de um vasto império, com belas terras, cheias de uma riqueza de recursos naturais e esplendorosas paisagens esverdeadas.

Mas então eles vieram, estranhos com suas ferramentas barulhentas, poluidoras e destrutivas. Eles esgotaram a terra, deixando-a fraca e sem condições de se regenerar; tiraram nossa fonte de alimento e nos expulsaram de nossos lares, sem consideração para com nossos jovens ou idosos e, quando algum de nós tentava se rebelar contra toda essa tirania, invadindo as propriedades cercadas que eles construíram, em busca de alimentos para sustentar nossas famílias, éramos massivamente caçados e exterminados, até que sobraram poucos de nós.

Então, sem termos muita escolha, nós nos adaptamos, fugimos para terras menores e menos férteis em busca da sobrevivência. Pois somos agora reis sem terras, guerreiros desarmados... fugitivos... sobreviventes... Mas, apesar de tudo, mantemos o nosso orgulho.

Relato de um leão desapropriado.

Kirjailija
Enviado por Kirjailija em 07/04/2016
Código do texto: T5597968
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.