Por que Santo Antônio da Alegria?



Temos ouvido repetidamente estas perguntas - Por que vieram morar aqui? Como estão aqui há tanto tempo? Foram embora, por que voltaram?

A primeira vez que viemos a Santo Antônio foi para o noivado de um primo, de Itamogi com a moça alegriense. Muito bem recebidos, noivado com uma ótima festança. (Daí já entendi o “Alegria” no nome da cidade.) Nesta noite pousamos na casa de D. Marta Tortelli (mãe do Toninho Macarrão); antes, conhecemos o salão paroquial, o bar do Jorginho e fomos apresentados para muitos alegrienses que nos conquistaram... (Recordei agora os versos de Mário Quintana “O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...” Chovia muito este dia. Acostumada às serras mineiras, estranhei a enxurrada que ao invés de correr morro abaixo fechava as ruas e dificultava a travessia de uma calçada para outra.)

Após a aprovação em concurso, teria que escolher uma escola para tomar posse do cargo. A cabeça até doía de tanto pensar... Meu marido era dentista estabelecido, tinha boa clientela lá em nossa cidade em Minas Gerais, tinha um cargo público no Estado. Já éramos pais de dois meninos... Teríamos que continuar ali mesmo... Também eu já trabalhava lá, aulas de ensino básico e umas aulas de Português no ginásio. Mas decidimos que continuaríamos pelas etapas do concurso e ver no que daria.

O pensamento vinha e voltava: Santo Antônio é uma cidade pequena e acolhedora. Está sem dentista... É próxima de nossa cidade... está na fronteira dos Estados... É possível uma transferência dos cargos do Nilo para a cidade vizinha... Assim foi! E, em agosto de 1977 entrei em exercício. Era a primeira professora concursada do “Cônego Macário” para as últimas séries do Ensino Fundamental e Médio. (Trabalhei com muitas turmas desde este ano! Ingressei e me aposentei na mesma escola __ em 1996. Muitos dos ex-alunos já estão aposentados hoje, em profissões variadas. Não vou citar nenhum, tenho todos guardados no coração e agradeço o carinho, paciência que tiveram com minhas exigências.)

A mudança para Santo Antônio ainda não ocorreu nesta época. Era difícil recomeçar a vida sem nenhum motivo sério para isto. A família se dividiu e nos reencontrávamos nos finais de semana aqui ou lá. Tentamos nos aconselhar com o Padre Andreatta, que nos disse: “Não estão bem lá, fiquem onde estão!”. (Perceberam que não acatamos o conselho)

A escola ficava isolada, em cima de um barranco, no final da avenida (chão de terra, ou melhor, areia)... acabei, não sei como, virando o pé que precisou ser engessado e valeu-me uma licença. Fiquei por lá até maio de 1978. Repentinamente, meu marido decidiu que moraríamos aqui definitivamente. Chegamos com a mudança em três de maio __ era festa de Santa Cruz. A cidade estava vazia. Todos lá no Morro festejando. Foi difícil conseguir homens para ajudarem a descer a mobília do caminhão.

Assim estamos em Santo Antônio há 38 anos, com um intervalo de quatro que moramos em Passos. Sentimos aqui como nosso lar. É uma sensação gostosa. Aqui educamos nossos dois filhos mineiros e tivemos a nossa filha alegriense. Construímos algumas casas, tivemos propriedades rurais, plantamos café, criamos poucas cabeças de gado. Meu marido foi agraciado com o título de cidadão alegriense. Somos gratos por nos permitirem adotar este torrão. Vivemos muitas histórias inesquecíveis, convivemos com diversas famílias e fomos tratados como se delas fôssemos parte.

Ao voltar para cá em 2011, depois de residir por quatro anos em Passos, obedecendo à moda do Facebook, criei o grupo CURTINDO SANTO ANTÔNIO com a finalidade de homenagear a cidade, além de propor confraternização, reencontro de amigos, recordar o passado, “matar” saudades, dividir lembranças e, sobretudo divulgar a cidade com aquilo que tem de melhor. Sempre procuramos das mais variadas formas participar das atividades locais e mostrar para todos que viemos para cá por que quisemos e para valer.

Não sei se consegui responder a questão inicial - Por que Santo Antônio da Alegria? O amor não tem explicação lógica.
Fheluany Nogueira
Enviado por Fheluany Nogueira em 07/01/2016
Reeditado em 08/03/2016
Código do texto: T5503318
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.