A professora Natureza – Crise hídrica

Esta é uma crônica-poética:

3) A PROFESSORA NATUREZA E A CRISE HÍDRICA

A professora Natureza ensinou que não se deve fazer nada, sem antes idealizar.

Para matar é preciso ter ódio, para viver é preciso de amor.

Para dormir é preciso ter sono, e ao acordar é preciso sonhar.

Dormir com a escuridão na porta, de uma noite azul ficando,

sonhando com o céu do norte, e ao sul no verde pensando.

A crise pode ser ética, estética, mas não é poética e nem pode faltar,

quem não sabe onde fica a ponta do seu nariz é um terror.

Quem até parece ser infeliz, com um grau de decência a conquistar,

age com displicência, e a paciência com os outros animais faltando,

na cerca seca da vida a crise hídrica por perto passando.

Faz de contas que não vê, o cinismo do machado, que vê todo lado cortar,

nas matas do populismo, o rabo deixa vestígio, e a natureza sentindo dor.

Ao chão falta cobertura, do Paraiso ao deserto, do planalto a qualquer hangar,

E a geração que se dane, seu avião não tem pane, para longe vai voando.

O que importa é ela ser rica, a natureza abundante, que a crise que ir matando.

Toda luta é importante, desigual no seu papel do alto-falante a gritar.

Atinge o rico e o pobre que pensa em nada fazer para um perdão sem rancor.

É uma estaca enfiada, cravada dento no peito do lodo todo a queimar.

Quem não reflete sua dor, vai preferir carro pipa, que o vereador vai lhe dando,

Como o amigo em desgraça, comprando o voto com a água, vendo sua vida acabando.

As águas da Amazônia não sobem em rios de nuvens, sem forças para chegar.

Quanto mais áreas distantes, ou no Nordeste ou no Sul, nem o azul muda de cor.

As nuvens não se carregam, o mar não virou sertão, nem o sertão virou mar.

Ninguém vê autoridade se queixar que tem insônia, mesmo autorizações soltando,

bombeando para suas contas o sangue da Amazônia, e a riqueza acumulando.

Mas quando a causa é nobre, vem um martelo e bate, fazendo o som ressoar,

Como o filho de Antônio, fixando sua mensagem, chamando atenção sem pudor,

E diz que ainda dá tempo, de mexer com esses cavalos, como cachorro a rosnar,

Em suas caras de jegues, botam o carro no atoleiro de poeira e vai parando,

Com pó, areia e fumaça, pra isso tem que ter raça, sem dinheiro, mas tentando.

O Brasil de formosura, onde a prática da usura fala mais alto que o mar,

ninguém mais vai ter direito de ver novas gerações com água ao seu redor,

não vai faltar abundância, vai faltar muitas estâncias minerais a reclamar,

desse prenúncio de caos, que os sinais falam demais, e pouca gente escutando,

pois todos estão perdidos, nas matas da ignorância, e o povo vai ruminando.

Não se tem a tal decência, de querer qualquer um boi, que a chuva faz engordar,

chamando alguns de inocente, por defender a bandeira, por ser bom entendedor.

Prefere a seca dura, jogando no deserto sua ética, e a vaca para o brejo levar,

lá a vaca tossiu, mostrou que tudo está indo para a ponte que caiu ficando,

deixando o brejo seco, entrando por qualquer beco, e o que abunda prejudicando.

E quem assiste assustado, é o povo com educação, sem saber com quem falar.

Já o povão distraído quando chega a eleição ganha logo uma mortadela e pinga de eleitor.

Pra ele a ecologia é uma marca de cigarro e o tal meio ambiente é o campo de jogar,

Pois enquanto tiver água lá pelo meio do mar, pensam que não estão pagando,

nem vão se preocupar, dando com os burros n’água, na seca vão navegando.

Quem não se acorda não sai, e nem chega a lugar nenhum.

Alguns senhores se enganam, ganhando e até reganhando sem saber onde parar,

Falta-lhes conhecimento da grave situação e a natureza reclama até com certo torpor,

Pela falta de decência desta nossa geração, que agride na entranha até mesmo sem cessar,

O frágil meio ambiente da mesma população, que ainda inconsciente continua se enganando,

No tamanho da incerteza, que alertou mãe Natureza, uma professora ensinando.

Essa mesma Natureza já nos mostra seus sinais, em mensagens abertas, ela quer nos alertar,

pois depois que a corda aperta, o pescoço não aguenta, tudo é estarrecedor,

Nesse momento em diante, quem tem culpa no cartório, não vai ter como escapar,

vai assistir o seu velório, como no Inferno de Dante, e a coisa vai complicando,

a natureza reclama, as matas se ardem em chama e os donos do mundo brincando.

Não adianta chiar, pois quem consente e não sente, a lição não quis usar,

são possíveis delirantes, que dizem estar tudo bem, com a natureza em vigor,

o desmatamento ignoram como mentira de alguém que falam em qualquer patamar,

É o precipício do inferno, quem quiser pode esperar, a Terra vai esquentando.

Quer estejam nus ou de terno, vão descer no fogaréu e as contas acertando.

Antes que a água se acabe, vou ali tomar um gole para minha sede matar,

Depois de falar de água, também da mãe natureza e da ecologia ao dispor,

Quero que essa consciência tome conta dessa gente pra depois não reclamar,

que a raiz desse problema é a burrice em cada um que no cérebro vai morando,

pois se aumentar a crise hídrica, não restará idiotas pra natureza ir sujando,

(poema em forma de prosa, em homenagem à luta pela meio ambiente do amigo dos naturistas e da Natureza, o escritor Marcelo Csettkey – Autor do Livro “A Floresta Amazônica garante nossas vidas – Crise hídrica - Editora Mágicode Oz)

- Conto do autor, no Livro Rapsódia de um contador de histórias, Editora Becalete, 2018.